No dia 9 de Abril, o Presidente Lula se pronunciou, após um encontro com o Presidente sul-africano, sobre uma temática que, se anos atrás parecia distante para boa parte dos brasileiros e dos cidadãos de todo o mundo, hoje já se mostra, infelizmente, muito mais próxima: a guerra e a necessidade de militarização. “Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente.“ Declarou o Presidente. Esse discurso, no entanto, não é isolado e se mostra nada além de uma consequência do cenário internacional atual.
Desde 2022, quando a Rússia iniciou sua invasão à Ucrânia, o mundo mergulhou em um período de inúmeras violações do Direito Internacional e o início de muitos conflitos armados - ou, ao menos, a ameaça deles - em todos os continentes. Na Europa, o maior conflito do continente desde a Segunda Guerra Mundial já completa seu quarto ano, com milhões de mortos e feridos. Enquanto isso, no Oriente Médio, EUA e Israel travam sua guerra contra o Irã e os grupos terroristas aliados ao regime dos aiatolás, aumentando a instabilidade em uma região historicamente delicada, e mais ao leste diversos conflitos de menor intensidade se dão, desde a fronteira entre Paquistão e Afeganistão até a complicada fronteira Tailândia-Camboja. Na África, conflitos como a Guerra Civil do Sudão, por vezes esquecida, já se alastram há anos, e finalmente na América Latina os governos alocam dezenas de milhares de soldados para o combate contra o narcotráfico, como fez recentemente o Equador.
Posto tudo isso, observa-se que muitas nações, em resposta a esses eventos, aumentam sua retórica militarista, se preparando para eventuais guerras ou, pelo menos, tentando aprimorar suas forças armadas para dissuadir rivais. Percebe-se isso claramente desde países europeus, como a França, a Alemanha e a Polônia que aumentam seus exércitos, até o Japão. Agora, após o pronunciamento de Lula, parece que o Brasil irá entrar para esse grupo, e tentará aumentar seu poderio militar.
Segundo o Presidente, a necessidade se dá para assegurar a soberania nacional e para que o país se prepare para uma eventual invasão. Sabe-se, no entanto, que na América Latina essa necessidade é alimentada muito pela ameaça do narcotráfico, que desafia a soberania de todos os países da região, e no caso do Brasil, também por conta do que aconteceu com Maduro, ditador da Venezuela, em janeiro deste ano, alimentando as tensões no continente americano, e para se preparar para eventuais conflitos simétricos (isto é, entre dois ou mais exércitos nacionais) que possam vir a surgir.
O Brasil, apesar de estar entre as quinze maiores potências militares do mundo segundo o ranking da Global Firepower, na frente de potências como Irã, Israel e a Alemanha, tem um caminho longo caso queira modernizar suas forças armadas e realmente estar pronto para um mundo militarizado. O material de guerra obsoleto, problemas estruturais no funcionamento das Forças Armadas e principalmente o baixo orçamento destinado à defesa, em parte devido à aversão que o governo Lula tinha com relação às Forças Armadas devido aos embates ideológicos, são alguns dos grandes desafios que o Ministério da Defesa vai precisar enfrentar caso queira uma defesa nacional realmente preparada, e enquanto o mundo vai se militarizando cada vez mais, o relógio corre contra o Brasil, para que nosso Exército, Marinha e Força Aérea, ao menos, acompanhem o ritmo do restante do mundo.
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