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De Volta ao Analógico

Mas, curiosamente, li na semana passada que a nova “velha” tendência para 2026 é voltar ao análogo.

De Volta ao Analógico
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Talvez o tema já esteja gasto. O excesso de telas faz mal. Durante anos discutiu-se isso, com gráficos, alertas e culpa parental. O argumento é respeitável: pesquisadores da Universidade de Hong Kong analisaram 33 estudos clínicos, mais de 30 mil crianças, e concluíram que o uso crônico de telas na infância compromete a neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de se reorganizar enquanto crescemos. Não é pouca coisa mexer nisso. Mas mexemos.

O mundo passa, em média, 33,5 horas por semana consumindo mídia online. Vídeos no TikTok, notícias que se atropelam, séries da Netflix que pedem apenas mais um episódio. O brasileiro passa 53,5 horas. Somos o quarto país em tempo de tela. Nada mal para quem vive dizendo que não tem tempo.

Quase não há intervalo que não seja ocupado por um visor aceso. O silêncio virou falha de conexão.

Ao mesmo tempo, leio que a tendência para 2026 é voltar ao análogo. O futuro resolveu ensaiar uma marcha a ré. Depois de tanta aceleração, descobrimos que a pressa também esgota. Vida ocupada demais, vida virtual demais. A conta aparece em forma de ansiedade e burnout, nomes novos para inquietações antigas.

Sou da geração dos walkmans, dos discos de vinil, das fitas cassete que embolavam, dos disquetes temperamentais. Nada heroico. Apenas palpável.

Ir à locadora exigia escolha. Revelar fotos implicava espera. Montar álbuns era quase um ritual. Havia quem colecionasse figurinhas, quem guardasse papéis de carta. Ainda guardo alguns. Não por nostalgia, mas por hábito.

Sinto falta dos cardápios impressos. Vai-se ao restaurante para descansar e recebe-se um QR code. Aponta-se o telefone e a fuga termina antes da sobremesa. Quando se percebe, já se está respondendo mensagens que poderiam esperar, mas não esperam.

No ano passado, os Estados Unidos venderam mais de 43 milhões de discos de vinil. Pode ser moda. Pode ser cansaço. Talvez apenas a vontade de segurar algo que não precise de senha.

Não é revolução. É exaustão.

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Kerley Carvalhedo

Publicado por:

Kerley Carvalhedo

Kerley Carvalhedo (Marabá, Pará, 11 de março de 1991) é um escritor e cronista brasileiro. Formou-se pela Universidade Católica de Brasília (UCB).

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