Nesta edição do Radar da Mineração, os destaques vão do reposicionamento estratégico da Vale, com as declarações do CEO Gustavo Pimenta sobre o papel de Carajás e do Pará no futuro da companhia, às falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a industrialização dos minerais críticos no Brasil. A publicação também traz um panorama da 2ª edição do Fórum de Mineração de Parauapebas, que discutiu inclusão, sustentabilidade e desenvolvimento econômico, além da criação da Associação de Minerais Críticos (AMC), nova entidade nacional voltada a fortalecer toda a cadeia desses insumos essenciais à transição energética.
“A Vale está fazendo um grande reposicionamento”, afirma Gustavo Pimenta
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, destacou o papel de Carajás no novo ciclo da companhia. “A gente utiliza 3% da Floresta Nacional de Carajás, e os outros 97% são área de preservação nativa. (…) Tenho certeza absoluta que, se a gente não tivesse ali, ela teria sido devastada.” Segundo ele, a região mostra como é possível conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
Pimenta reforçou também a importância estratégica do Pará para o futuro da mineradora. “O Pará é especial nesse cenário. Temos uma operação relevante, 60% do nosso minério sai daqui.” Ele afirma que o estado será determinante para a expansão da produção e para a mineração mais moderna e sustentável.
Questionado sobre reclamações de gestores municipais, como o de Parauapebas, o CEO destacou o trabalho de reorganização interna. “Vai haver um desentendimento aqui e ali, em um tema específico, que toma um pouco mais de tempo para resolver, mas há diálogo.”

“Brasil não será exportador de minerais críticos”, diz Lula
Durante visita a Moçambique, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em evento empresarial realizado nesta semana, que o Brasil não aceitará papel secundário na cadeia global de minerais estratégicos. “Nós não vamos ser exportadores dos minerais críticos. Se quiser, vai ter que industrializar no nosso país para que o nosso país possa ganhar esse dinheiro.”
Lula ressaltou que países interessados, como os Estados Unidos, terão de desenvolver indústrias em território brasileiro. Ele também defendeu autonomia sobre os recursos nacionais: “É urgente que cada país seja capaz de definir o modelo de exploração de suas riquezas, de forma soberana.”
O presidente reforçou a crítica ao modelo histórico de exploração: “Ou nós aproveitamos essas riquezas, ou vamos ver os países de sempre cavarem buracos e levarem nossos mineiros.”

2º Fórum de Mineração de Parauapebas debate inclusão, sustentabilidade e futuro econômico
A Prefeitura de Parauapebas, por meio da Semmect, realizou na terça-feira (25) a 2ª edição do Fórum de Mineração de Parauapebas. O encontro, no Centro Cultural, reuniu representantes de diversos setores para discutir desafios e oportunidades da mineração, reforçando o fórum como um espaço permanente de diálogo sobre inclusão, sustentabilidade e desenvolvimento econômico no município.
O secretário Wallas Marques destacou a evolução do evento em relação à primeira edição, realizada em março. “Na 1ª edição falamos bastante sobre a CFEM (...). Agora, nesta 2ª edição, no cenário pós-COP30, viemos tratar de cooperativismo e empreendedorismo mineral, da participação feminina e do fechamento de mina. São assuntos essenciais para Parauapebas, que é a capital do minério”, afirmou.

Associação de Minerais Críticos é criada no Brasil para fortalecer cadeia estratégica
O Brasil passa a contar com a Associação de Minerais Críticos (AMC), entidade que reúne empresas da cadeia de minerais essenciais à transição energética. Para Marisa Cesar, presidente do conselho, “a AMC foi criada para integrar as empresas que atuam nos minerais essenciais à transição energética e consolidar o Brasil como referência global”.
A associação nasce com três objetivos centrais: atender à demanda crescente por minerais críticos, oferecer representação técnica qualificada ao setor e contribuir para a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A AMC busca complementar o trabalho das demais entidades e fortalecer a organização do segmento no país.
Com foco em articulação regulatória, inteligência setorial e atração de investimentos, a entidade reúne empresas como Atlantic Nickel, Graphcoa, PLS, Meteoric e outras.

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