A nova edição do Radar da Mineração traz os destaques que movimentaram o setor, incluindo o avanço da tecnologia autônoma da Vale em Carajás, a aprovação no Senado do projeto que estrutura a Política Nacional de Minerais Críticos, as previsões otimistas para ouro e cobre em 2026 feitas por grandes instituições internacionais e as novas análises do Ipea e da ANM sobre o potencial brasileiro em minerais estratégicos.
Vale vai ampliar frota de caminhões autônomos em Carajás
A mineradora Vale vai ampliar a frota de caminhões autônomos na região de Carajás após firmar acordo com a Caterpillar e a Sotreq. Atualmente, são 14 veículos em operação; até 2028, o número deve chegar a cerca de 90 caminhões, incluindo modelos de 400 toneladas que utilizam a tecnologia Cat MineStar Command.
A ampliação aumenta a segurança, reduz riscos e pode gerar ganho de até 15% na produtividade e redução de 7,5% no consumo de combustível. Desde 2019, mais de 260 trabalhadores já foram capacitados para atuar nas operações digitais.

Comissão aprova texto para criar indústria de minerais críticos no Brasil
A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos (PL 4443/2025), regulamentando a extração, o processamento e a comercialização de elementos estratégicos como nióbio e terras raras, essenciais para painéis solares, turbinas eólicas, baterias e chips.
O Brasil, que possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, avança após mais de uma década de debates para estruturar uma indústria voltada à transição energética e à produção de tecnologias avançadas.
O texto determina que 80% das terras-raras extraídas no país sejam processadas internamente e prevê atualizações periódicas da lista de minerais estratégicos pelo governo federal. A proposta também inclui incentivos fiscais, financiamentos específicos, parcerias público-privadas e consórcios de pesquisa.

Ouro e cobre lideram previsões de alta em 2026
Instituições como Banco Mundial, Goldman Sachs, Deutsche Bank, ING Bank, TD Cowen e BMI (Fitch Solutions) projetam valorização do ouro e do cobre em 2026. As estimativas médias indicam ouro a US$ 4.900/onça e cobre a US$ 10.550/t. Para o minério de ferro, a previsão é de US$ 90-100/t; níquel a US$ 15.250/t; e lítio a US$ 28.000/t.
O Banco Mundial prevê estabilidade nos preços gerais dos metais em 2026, enquanto instituições financeiras esperam novos recordes para metais ligados à energia limpa e para os metais preciosos.

Estudo do Ipea e ANM destaca potencial do Brasil em minerais críticos
Um estudo do Ipea, em cooperação com a Agência Nacional de Mineração (ANM), aponta que o Brasil tem grande potencial em minerais críticos, essenciais para baterias, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores. Entre esses elementos estão lítio, cobalto, níquel e terras raras, cuja oferta global é limitada ou concentrada em poucos fornecedores. Segundo o Ibram, o país detém cerca de 10% das reservas mundiais desses minerais.
O levantamento mostra, porém, que o Brasil não conseguiu transformar esse potencial em produção robusta nas últimas duas décadas, mantendo participação entre 0,75% e 2% da riqueza nacional no período de 2000 a 2019, atrás de países como África do Sul e Chile. Por outro lado, o estudo destaca a recente expansão dos investimentos em máquinas, infraestrutura e pesquisa geológica, tendência que pode reposicionar o país na cadeia global e elevar sua competitividade no setor.

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