A COP 30 começou nesta quinta-feira (6), em Belém (PA), colocando o Pará e o Brasil no centro das discussões globais sobre clima, sustentabilidade e transição energética. Com os olhos do mundo voltados para a Amazônia, líderes, especialistas e representantes do setor produtivo debatem caminhos para acelerar ações concretas de descarbonização e preservação ambiental. Nesta edição especial do Radar da Mineração, o destaque é o papel do setor mineral nesse contexto, dos compromissos firmados durante a Exposibram 2025 ao avanço de medidas legislativas que endurecem as penas para a mineração ilegal em terras indígenas. Também ganha relevo a posição do CEO da Vale, Gustavo Pimenta, que defende uma COP prática, voltada à implementação de soluções capazes de conciliar desenvolvimento econômico, preservação ambiental e inclusão social.
“COP precisa ser prática para bons modelos”, afirma Gustavo Pimenta, CEO da Vale
Durante entrevista ao Jornada COP, da CNN Brasil, o presidente da Vale destacou o potencial do Brasil para liderar a agenda climática na COP30, em Belém. “Somos um país que tem fontes renováveis, grande potencial de biocombustíveis. As oportunidades são enormes; precisamos fazer uma COP prática, de implementação de bons modelos e aceleração das soluções”, afirmou Gustavo Pimenta.
O executivo ressaltou ainda que é possível conciliar desenvolvimento econômico, ambiental e social. “Acreditamos que esses modelos podem ser escaláveis, inclusive com parceiros que também pensam em soluções para seguirmos avançando na agenda de preservação ambiental”, completou.

Descarbonização e biodiversidade: compromissos do setor mineral na COP 30
Durante a Exposibram 2025, o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Raul Jungmann, e o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, apresentaram os compromissos do setor mineral brasileiro para a COP 30. As metas incluem ampliar o uso de energia renovável, reduzir o consumo de água, promover ganhos líquidos de biodiversidade e fortalecer a governança climática nas regiões mineradoras.
A Vale destacou suas metas de descarbonização, que preveem a redução de 33% das emissões diretas e indiretas até 2030 e a neutralidade de carbono até 2050, com investimentos em eletrificação de operações, uso de combustíveis alternativos e parcerias voltadas à inovação em baixo carbono.
O objetivo é consolidar uma mineração mais verde, inclusiva e alinhada à transição energética global, reafirmando o papel do Brasil como líder em sustentabilidade e inovação no setor.

Minerais Críticos: um dos temas centrais da COP 30
Os minerais críticos estão entre os principais temas da COP 30, por serem essenciais aos setores de energia, tecnologia e defesa. Elementos como lítio, cobalto, níquel e terras raras são indispensáveis para baterias, turbinas eólicas e painéis solares, impulsionando a transição energética.
Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o Pará está entre os estados com maior potencial para a presença de terras raras no solo, e a região de Carajás se destaca como uma das principais áreas estratégicas, reconhecida por sua riqueza mineral e relevância econômica.
“A região Norte tem um núcleo cratônico composto por rochas arqueanas e paleoproterozoicas, conhecido como Província Mineral de Carajás, no Pará, que se destaca no cenário econômico mundial por conter importantes depósitos de ferro, cobre, ouro, manganês, níquel e estanho”, explica o geólogo Marcos Quadros, pesquisador em geociências do SGB.

Câmara aprova aumento de pena para mineração ilegal em terras indígenas
Em sintonia com os debates globais sobre sustentabilidade na COP 30, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 2933/22, que endurece as punições para a mineração ilegal em áreas ocupadas por povos indígenas e comunidades tradicionais.
A pena poderá ser aumentada em até três vezes, incluindo quem financia ou contrata a atividade. A proposta, relatada pela deputada Célia Xakriabá (Psol-MG), reforça o compromisso do Brasil com a proteção ambiental e os direitos dos povos originários, temas centrais da conferência climática.

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