O vídeo é claustrofóbico, não recomendado para pessoas sensíveis e de fazer chorar até mesmo os que possuem maior resistência. São 17h49 do dia 23 de dezembro de 2023, antevéspera do Natal. Ariel Zanoni deixa a loja da qual é proprietário pela porta da frente. Sua esposa, Verônica Zanoni, fica do lado de dentro com as duas crianças do casal. O que está por vir desafia a compreensão humana.
A mulher parece zangada com o marido. Ela está trancada do lado de dentro da loja em meio ao choro das crianças, telefona para a Polícia Militar e fala baixinho “Ele pensa que está mexendo com quem para fazer uma coisa dessas? Ele vai se ferrar! Ele acha que ele é o quê, o machão?”.
A criança mais velha pede que a mãe não ligue para a polícia. A mãe explica que precisa fazer isso para que a porta seja aberta, pois “não quer ficar lá trancada”. A criança chora e diz: “Eu vou ficar sem o papai”. A mãe responde: “tem nada não ficar sem o papai, você tem a mamãe e o Artur.”
São 18h02. A ligação é atendida e ela explica que está trancada, pois o marido sai com as duas chaves da loja e diz que quer ajuda para sair do local. A atendente da PM pede detalhes sobre o endereço. A mulher explica que a loja fica próxima ao shopping de Parauapebas e dá os detalhes do endereço requeridos pela atendente. À mulher é explicado que é necessário quebrar a porta para a ação e ela diz que, se for essa a única alternativa, ela deseja cancelar o pedido de socorro.
A atendente, no entanto, recolhe os dados passados e diz que se o marido não retornar em breve, ela deve fazer o contato novamente. Ao fim da ligação, são 18h10. Após isso, a mulher passa mais alguns minutos com as duas crianças.
Às 18h14, entra para o cômodo do fundo da loja, local que serve de dormitório para a família em Parauapebas. Nenhuma câmera mostra mais Verônica Souza Silva, 28 anos, viva. A seguir, barulhos, choro das crianças e muita tristeza.
Por volta de 18h20, um barulho é ouvido. Às 18h47, Ariel Zanoni é visto na câmera da frente entrando na loja e seguindo direto para o cômodo dos fundos.
Às 18h53, Ariel retira o tampão que cobre a câmera do quarto dos fundos e é visto tentando reanimar Verônica. Em vão. A mulher está morta.
Um provável suicídio
Nas imagens, é possível perceber a tristeza da mãe de família, a frustração com o marido e a agonia de estar trancada, sem saídas, e em meio ao choro dos filhos. Na linha do tempo das câmeras, compreende-se que Verônica saiu para os fundos e deu fim à própria vida.
Some-se isso ao testemunho do marido, ao desespero dele flagrado pelas câmeras e o caso está, na teoria, elucidado. Verônica estava doente, não suportou a própria tristeza e teria cometido o impensável ato de tirar a própria vida.
Na declaracão de óbito, a confirmação: estrangulamento, asfixia mecânica e fratura da cervical.
No entanto, no campo “Provável causa de morte não natural”, o choque para a família. A médica legista marcou “homicídio”.
Uma reviravolta no caso
Em posse desta informação, a família de Verônica entrou em desespero e iniciou sua cruzada em busca de justiça pela jovem. Para eles, o suicídio de Verônica, que já era inconcebível, passou a ser um desrespeito a sua memória.
Além da declaração de óbito que afirma tratar-se de um homicídio, a família teve acesso às imagens das câmeras e viu que Verônica estava indignada com o esposo.
Ao ver que a câmera do cômodo nos fundos da loja, onde Verônica morreu, estava com um tampão e que só foi descoberta quando Ariel tentou reanima-la, a família passou a suspeitar do marido e o caso ganhou repercussão nacional.
Ariel passou a ser suspeito de homicídio e até concedeu entrevista para o Portal Pebão, onde explicou os acontecimentos. Ele também postou em suas redes sociais uma sequência dos acontecimentos do dia 23, cortando alguns momentos, como as falas da esposa ao seu respeito. A publicação também destacava horários, mostrava comprovantes de que Ariel não estava no local na hora do ocorrido e até o rastreador do próprio celular.
Muita gente foi convencida pela fala do empresário e o vídeo divulgado por ele repercutiu bastante. No entanto, para muitos, Ariel parece ser frio e comentários tomaram conta das redes sociais sobre o caso.
De acordo com algumas falas, Ariel tem uma história nefasta por trás de si.
Dossiê Ariel: culpado ou inocente?
De acordo com comentários das redes sociais, Ariel já foi casado duas outras vezes e ambas as histórias terminaram de forma trágica.
De acordo com o relato de uma usuária do Instagram, o empresário é acusado da morte de sua primeira mulher. A usuária relata ainda que ele provocou um acidente que avariou seriamente o braço de sua segunda esposa.
Uma prima de Verônica divulgou ainda conversas privadas. Uma mulher disse que uma amiga sua namorou com ele antes de Verônica e o relacionamento teria acabado pelo fato de Ariel sufoca-la. A mulher teria percebido os sinais e terminado tudo.
Há ainda relatos de que Ariel é ciumento, possessivo e agressivo, que tratava a esposa com aspereza, arrogância.
Em sua entrevista para o Portal Pebão, Ariel disse o contrário: que o lar em que viviam era um ambiente de paz, que o casal não havia brigado e que as coisas estavam bem, apesar de tudo o que estava sendo dito.
Ariel foi questionado pela reportagem
O Gazeta Carajás fez contato com o empresário via WhatsApp para comentar sobre as acusações das redes sociais. Ariel respondeu prontamente ao contato e se colocou à disposição.
Ao todo, 20 perguntas foram feitas ao empresário. Veja abaixo:
- Você já foi casado outras duas vezes, confere?
- Quem era a sua primeira esposa?
- Qual é a situação envolvendo o falecimento de sua primeira esposa?
- Quem era a sua segunda esposa?
- Há acusações nas redes sociais de que o senhor provocou um acidente que fez a sua segunda esposa perder parte do braço. Como foi esse ocorrido?
- Procedem as afirmações de que o senhor é um homem ciumento e possessivo?
- O senhor torturava psicologicamente a Verônica?
- Por que a Verônica estava zangada com o senhor momentos antes de morrer, como algumas imagens mostram?
- Por que o senhor omitiu a parte do vídeo em que ela falava a seu respeito?
- Por que o senhor retirou o tampão da câmera antes de reanimar a sua esposa?
- O senhor matou a sua esposa?
- Muita gente relatou uma conduta violenta do senhor em relação a sua esposa, o senhor acredita que isso pode tê-la levada ao suicídio?
- Há relatos de que o senhor a tratava com arrogância, aspereza e que obrigava ela a fazer trabalhos pesados. Isso é verdade?
- Há acusações de que o senhor levava uma vida dupla, que apesar de sua religião e ser casado, o senhor bebia e dava a entender que era solteiro. Isso é verdade? O senhor acha que isso pode ter mexido com o psicológico de sua esposa?
- Por que as lojas do senhor praticamente não fecharam em luto a sua esposa?
- O senhor está se sentindo injustiçado diante dessa situação?
- O que o senhor tem a dizer diante de tudo isso que está acontecendo?
- Há relatos de que o senhor está deixando as crianças distantes da família da Verônica, isso procede?
- Como as crianças estão hoje?
- Qual o seu recado para a sociedade de Parauapebas e Canaã que acompanham esse caso?
Ariel disse que está aguardando o laudo técnico do Instituto Médico Legal e que somente após isso falará mais sobre o ocorrido. De acordo com ele, os comentários são baixos, sem nexo e que não vai perder tempo com eles. Ele afirmou ainda que não foi casado três vezes.
Segundo o empresário, todas as pessoas que estão prejudicando a sua imagem nas redes sociais serão devidamente processadas por injúria, calúnia e difamação.
Após a conclusão do inquérito, Ariel se colocou à disposição para entrevistas, inclusive ao vivo, onde responderá a todos os questionamentos. O empresário afirma ainda que seu foco está voltado para os filhos pequenos e que está tentando manter a própria saúde diante de um momento tão turbulento.
Ariel destacou também que está colaborando com as investigações. De acordo com ele, o seu aparelho celular e o de sua esposa ficaram à disposição da polícia por semanas, bem como as imagens das câmeras de segurança na íntegra, sem cortes.
Após a publicação da reportagem, Ariel solicitou algumas correções. De acordo com ele, não há laudo do IML, mas sim um relatório do órgão para certidão e nele está assinalado homicídio ou provável suicídio.
O empresário afirma ainda que não é suspeito do crime. “O inquérito ainda não terminou e eu não estou sendo suspeito de crime nenhum.”
Créditos (Imagem de capa): Montagem: Portal Pebão
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