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Advogado Alex Silveira fala sobre momento político em Canaã dos Carajás

Um dos diretores do PL no município, dr. Alex abre o jogo sobre o que pensa do governo, diz que não faz oposição e considera inviável uma conciliação entre as partes envolvidas na disputa majoritária. Advogado também falou sobre manifestações do 15 de Novembro em Canaã

Advogado Alex Silveira fala sobre momento político em Canaã dos Carajás
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O ano de 2023 foi atípico na política de Canaã dos Carajás. Véspera de uma disputa eleitoral importante, o ano trouxe surpresas, como o surgimento de uma nova oposição ao governo municipal, o renascimento do movimento de direita no município e a confirmação de um racha entre Josemira Gadelha, atua prefeita, e Jeová Andrade, seu antecessor. Este assunto movimentou a política canaense, exaltou ânimos e inflamou debates.

Para tentar entender o pouco o que está acontecendo em Canaã, o Gazeta Carajá entrevistou o advogado Alex Rodrigues Silveira, de 41 anos, secretário geral do Partido Liberal, o PL, no município. Popular líder de direita no município, Alex abriu o jogo sobre o que pensa do governo municipal, diz que não faz oposição ao governo de Josemira Gadelha e que considera inviável uma conciliação entre as duas partes envolvidas no processo municipal.

O jurista afirmou que suas críticas são pontuais e dizem respeito a pontos que acredita que podem ser melhorados. Ele também falou sobre o que pensa do governo Helder Barbalho, diz que está preocupado com o endividamento do estado e diz não ter se arrependido de ter elogiado o governador no passado.

Alex também está convicto de que o discurso da direita contra esquerda, e vice-versa, deve continuar funcionando pelos próximos anos, pois a polarização que se viu nas eleições do ano passado continua a existir.

Sobre o partido que coordena, o advogado destacou o crescimento e o trabalho para construção de bases. Ele também falou sobre as manifestações do 15 de Novembro, quando pouquíssimas pessoas foram às ruas em um protesto convocado pelas forças de direita.

Alex falou ainda sobre a possibilidade de ser candidato a vereador em 2024, sobre os fatores que devem decidir as eleições ano que vem e o Brasil governado por Luís Inácio Lula da Silva.

Confira agora a entrevista na íntegra com Alex Silveira.

 

Gazeta Carajás: Dr., há um ano nós conversamos sobre política, entre outras coisas... O senhor ainda pensa o mesmo que pensava um ano atrás?

Alex: Eu me lembro sim da nossa entrevista um ano atrás. Naquele momento, a gente vislumbrava e enxergava um momento muito promissor para Canaã dos Carajás. A gente via que o governo municipal estava lançando pedras fundamentais, fazendo algumas manifestações públicas que a gente teria de imediato a construção do aeroporto, construção do hospital, a chegada definitiva de um campus universitário. E, levando em conta tudo o que já havia sido construído pelo governo anterior, se levava em conta um futuro muito promissor para Canaã. Hoje, já vejo de uma forma diferente, visto que no decorrer desse ano praticamente tudo o que foi apresentado ainda está no papel. Ainda não temos o aeroporto, o hospital ainda está com obras iniciais e ainda não houve a inauguração do prédio para que a faculdade se instale em Canaã. Na minha visão, vejo um pouco diferente hoje o cenário municipal.

 

GC: E no cenário estadual?

A: Bom, eu vejo que temos um problema. A que pese, o Helder tem se esforçado e entregado algumas obras até mesmo aqui em Canaã, mas tem uma coisa que tem me chamado a atenção e me incomodado: o endividamento do estado. O Helder tem pedido a aprovação da Alepa para que o estado adquira empréstimos e isso vai ser empurrado para as futuras gestões e futuras gerações. Não vejo com bons olhos, pois você tira o poder de investimento dos futuros gestores e faz com que eles não tenham tanta capacidade de entregar melhorias para a população. Então, isso me deixa um pouco preocupado.

 

GC: Então o senhor se arrepende do que disse ano passado? Digo, sobre a boa avaliação do governo municipal e as boas expectativas para o segundo mandato do governador?

A: Não, de forma alguma. Não me arrependo porque uma gestão funciona da seguinte forma: o primeiro ano você trabalha com o planejamento da gestão anterior; no segundo ano, você já começa a trabalhar o seu PPA. Naquele momento, a gestão estava pronta para que pudesse trabalhar em cima do seu plano e, pela amizade que eu tenho com a dra. Josemira, esperava que o seu governo fosse espelho do seu trabalho como advogada. Mas eu vejo que o governo de forma geral, e aqui eu não vou criticar a pessoa, teve dificuldades com trâmites e muita coisa demora a sair. Por isso não concordo. Hoje eu considero o governo regular e espero que, para o bem de todos nós, as propostas saiam do papel. Sobre o governador, vejo que ele quer se projetar a uma candidatura federal e, para tanto, ele está endividando o estado, como já falei. De imediato, é bom pois as obras acontecem, mas no futuro alguém vai ter que pagar essa conta e é o que me preocupa.

 

GC: Por que o senhor decidiu fazer oposição ao governo municipal?

 A: Olha, eu não faço oposição ao governo municipal. Eu sou um líder político em Canaã e quero o bem para essa cidade. Eu critico o que precisa ser melhorado e elogio o que precisa ser elogiado. O que eu faço é apontar problemas pontuais que eu enxergo. Isso não é oposição. Apenas tenho uma posição diante das expectativas que tenho para Canaã.

GC: O protesto do dia 15 de Novembro foi um fiasco na sua opinião? A direita perdeu força?

A: Eu quero crer que a direita não perdeu força no município. O dia 15 não foi como esperávamos, a quantidade de pessoas que esperávamos, mas há alguns fatores que explicam o ocorrido. O primeiro ponto é que não houve divulgação em massa da forma que deveria ocorrer. Segundo ponto é que era um feriado no meio de semana, onde várias pessoas viajam, vão para chácaras para lazer e isso com certeza influenciou. Outro ponto é que há muitas pessoas que sentem medo de se expor nesse momento sensível de política, o que é natural.

 

GC: O senhor acha que esse discurso da direita contra a esquerda vai funcionar em 2024?

A: Vai funcionar em 2024, em 26, em 28... e todas as eleições de agora para frente. O que acontece: o mundo tem se posicionado, há polarização política a nível mundial, não só em nossa cidade. O eleitor tem se conscientizado que tem que votar em pessoas alinhadas às suas ideologias. A eleição começa nas bases e a gente tem que enxergar isso. Você elege um vereador, um prefeito e essas lideranças políticas eleitas ou não, mas que tenha posição firme é que vão dar sustentação política para deputados, senadores, governadores e presidentes. As decisões que afetam nossas vidas, impostos, aborto, drogas, liberdade de expressão, são realizadas pelo parlamento e sancionadas pelo presidente. Ou seja, tudo está interligado. As pessoas chegam a Brasília com o nosso apoio e o cidadão compreende isso.

 

GC: Sobre as partes envolvidas na política municipal, o senhor enxerga alguma chance de reconciliação entre elas?

A: Eu vejo que não. Essa é a minha visão. Partidariamente falando, digo pois também faço parte de um partido, também não vejo condições. O PL em Canaã tem um projeto. Um projeto de termos vereadores e um prefeito eleito. Então, eu não enxergo essa possibilidade.

 

GC: Por falar em PL, fale um pouco sobre o momento do partido no município...

A: O PL em Canaã vai muito bem, obrigado. Acredito que nós já somos o maior partido de Canaã, pois tivemos um grande número de filiações e isso é graças ao trabalho que temos feito. Nós também já inauguramos a sede do nosso diretório e estamos atendendo. Também estamos preparando bases para vir com força em 2024. Nós vamos lutar para que o PL consiga eleger quatro ou cinco vereadores e também vencer na disputa majoritária.

 

GC: E o senhor é candidato a vereador ano que vem?

A: Olha, isso não é questão definida. Não tenho essa resposta neste momento. Vejo que a gente faz parte de um grupo e as nossas decisões são tomadas em conjunto. Se ventila essa possibilidade, não estou no momento trabalhando para isso, mas não descarto essa chance. Se o partido achar que é interessante a minha candidatura, estarei à disposição.

 

GC: E qual o fator que o senhor acha que vai decidir as eleições do ano que vem?

A: São vários. Um deles é o posicionamento do Jeová e o seu peso. Com toda certeza isso mexeu na estrutura da política municipal. Também não podemos descartar a questão da ideologia partidária. Todo aquele sentimento que se viu ano passado nas eleições presidenciais continua existindo. Quando a eleição acaba, o eleitor vai para casa, vai para trabalhar, mas no ano eleitoral isso aflora de novo. Quero crer que aqueles milhões de patriotas que andavam pelas ruas continuam sendo patriotas e ano que vem estarão de volta às ruas votando em candidatos de direita.

 

GC: Com praticamente um ano de governo Lula, o Brasil está melhor ou pior na sua visão?

A: Na última vez que conversamos, eu até falei que não esperava que fosse o Lula de 10 anos atrás. Infelizmente, vejo que o Lula é o mesmo e talvez até pior que o Lula de antes. Tivemos um ano de falas infelizes, decisões infelizes. Estamos finalizando 2023 com estatais dando prejuízo, um expressivo aumento de impostos, cortes na educação, um gasto com cartão corporativo três vezes maior que nos quatro anos do seu antecessor, R$ 1 bilhão gasto em viagens e os alimentos estão mais caros. Para se ter uma ideia, o Brasil vai ser o país onde mais se paga imposto no mundo. Então, eu não vejo um governo promissor e até tenho as minhas dúvidas se ele vai conseguir completar os quatro anos nesse ritmo. Como já disse, temos que torcer para que dê certo, continuo torcendo, mas as expectativas não são boas.

 

GC: E qual a sua mensagem de fim de ano para Canaã e região?

A: Sempre agradeço a Deus por mais um ano de vida tendo forças e possibilidade para trabalhar. Agradeço a minha família, amigos e clientes que confiaram suas causas à Silveira Advocacia. Que todos tenham boas festas natalinas e um próspero ano novo. Mesmo que seja um ano eleitoral, onde ânimos se exaltam, espero que as pessoas possam entender que o processo político é apenas um processo que passa. Não precisamos entrar em atritos e nem perder amizades. Que sejamos abençoados, que tenhamos sucesso e muita paz.

 

 

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Kleysykennyson Carneiro

Publicado por:

Kleysykennyson Carneiro

Editor-chefe do Gazeta Carajás. Com mais de 15 anos de atuação no jornalismo, sua trajetória inclui passagens por televisão, assessoria institucional e direção de grandes eventos.

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