O acordo entre o Mercosul e a União Europeia, aprovado nesta sexta-feira (9), tende a impulsionar o setor mineral brasileiro nos próximos anos, em um contexto global marcado pela crescente demanda por minerais críticos e terras raras. Nesse cenário, a Província Mineral de Carajás se destaca como área estratégica, já consolidada na produção de minério de ferro, mas ainda pouco explorada no que se refere aos minerais críticos, apesar do elevado potencial geológico identificado na região.
A União Europeia reconheceu o acesso a minerais críticos do Mercosul como um dos pilares do acordo comercial. A negociadora-chefe do bloco, Kristina Grutschreiber, afirmou que a Europa “precisa desesperadamente” dessas matérias-primas para avançar na transição energética e reduzir a dependência do fornecimento chinês. Entre os minerais considerados essenciais para tecnologias limpas e cadeias industriais de alto valor agregado estão o lítio, o nióbio, o grafite, o níquel, as terras raras, o cobre e o manganês. Diante desse cenário, a região mineral de Carajás surge como uma das grandes apostas em potencial no contexto do acordo internacional.
A região já começa a demonstrar essa potencialidade com projetos em implantação ou em fase avançada de desenvolvimento. Um dos principais exemplos é o Projeto Jaguar, da Centaurus Metals, localizado no sudeste do Pará. O empreendimento reúne diversos depósitos de sulfeto de níquel distribuídos em uma área de aproximadamente 30 quilômetros quadrados e é considerado pela empresa sua principal aposta para a consolidação de um portfólio brasileiro de minerais críticos.
Um ponto relevante da renegociação do acordo, concluída entre 2023 e 2024, foi a preservação do direito brasileiro de adotar políticas de agregação de valor no setor mineral, com impacto direto em regiões estratégicas como Carajás. Diferentemente do pré-acordo de 2019, o novo texto permite a aplicação de restrições e impostos de exportação como instrumento para estimular o processamento local de minerais críticos, abrindo espaço para a instalação de plantas industriais e cadeias de beneficiamento próximas às áreas de extração.
Além disso, o acordo prevê a eliminação progressiva de tarifas para produtos minerais com maior valor agregado, como ferro-ligas, alumínio, cobre e produtos siderúrgicos, com prazos de transição de até dez anos. A medida tende a ampliar a atração de investimentos, fortalecer a indústria mineral nacional e consolidar Carajás como uma das principais províncias minerais do mundo no fornecimento de insumos estratégicos para a economia de baixo carbono.
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