O Pará caminha para assumir a liderança nacional na arrecadação da Contribuição Financeira sobre a Exploração Mineral (Cfem), atualmente ocupada por Minas Gerais. A avaliação é de especialistas do setor e leva em conta o potencial mineral do estado, especialmente na região de Carajás, e a necessidade de ampliação dos investimentos em pesquisa e mapeamento geológico.
Levantamento realizado pelo portal O Fator mostra que, entre dezembro de 2024 e novembro do ano passado, Minas Gerais recebeu R$ 525,8 milhões em royalties da mineração, enquanto o Pará ficou muito próximo, com R$ 465,7 milhões, diferença de apenas 11,5%. No período analisado, o Pará liderou a arrecadação em três dos 12 meses.
Segundo o diretor de Geologia e Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Valdir Silveira, o cenário tende a se inverter no médio prazo. Para ele, o Pará reúne condições naturais e geológicas para assumir a dianteira da produção mineral brasileira em um horizonte de cinco a dez anos, desde que avance no conhecimento técnico do seu subsolo.
“Atualmente, o Pará ainda não possui áreas mapeadas na escala ideal de 1/100 mil, que é fundamental para a pesquisa mineral. Mas à medida que esse conhecimento for avançando, principalmente a partir de Carajás, a hegemonia de Minas será alcançada rapidamente”, afirma Silveira.
Hoje, predominam no Pará mapeamentos em escalas menos detalhadas, como 1/250 mil e 1/500 mil. O especialista destaca que a ampliação do mapeamento em melhor resolução é um passo decisivo para atrair novos investimentos, identificar jazidas e ampliar a produção mineral de forma planejada.
Mesmo antes desse avanço técnico, o estado já se consolida como um dos pilares da mineração nacional. Juntas, as jazidas do Pará e de Minas Gerais respondem por cerca de 85% da produção mineral do Brasil, cenário que deve se manter nas próximas décadas.
Além de Carajás, considerada uma das maiores províncias minerais do mundo, o Pará apresenta grande potencial para minerais como ferro, cobre, ouro, níquel e manganês. O SGB avalia que grande parte desse potencial ainda está sob a floresta, exigindo planejamento, pesquisa e atenção rigorosa às questões ambientais e às terras indígenas.
“A Amazônia possui uma riqueza mineral imensa. O desafio é avançar com responsabilidade, conciliando desenvolvimento econômico, preservação ambiental e respeito às populações tradicionais”, destaca Silveira.
Para impulsionar esse processo, o Serviço Geológico do Brasil contará, neste ano, com orçamento de R$ 40 milhões destinados a pesquisas em todo o país. Parte dos investimentos será aplicada em mapeamentos geofísicos, com o uso de aeronaves e tecnologias como inteligência artificial, capazes de identificar áreas com maior probabilidade de ocorrência mineral antes mesmo das prospecções em campo.
Fonte/Créditos: Com informações do Portal O Fator
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