A Justiça Federal aceitou denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra um investigado por integrar um esquema de extração e transporte ilegal de madeira no Pará. O réu é acusado de atuar como “olheiro” na balsa sobre o Rio Xingu, entre Vitória do Xingu e Anapu, utilizando tecnologia para monitorar e burlar a fiscalização ambiental. A decisão foi publicada no último dia 19.
As investigações, fruto da Operação Argus deflagrada pela Polícia Federal em 18 de março de 2026, revelaram um sistema sofisticado de vigilância. O acusado utilizava câmeras de segurança instaladas em pontos estratégicos e grupos de mensagens para alertar motoristas sobre a movimentação de viaturas da PF e de órgãos ambientais.
Além do monitoramento, a denúncia aponta a venda de “tíquetes”: uma espécie de cobrança ou passe que facilitava o trânsito das cargas ilícitas pelas rotas vigiadas.
Crimes Denunciados
Com a abertura da ação penal, o réu responderá por três crimes:
- Obstrução à fiscalização ambiental: (Art. 69 da Lei nº 9.605/98) por dificultar a ação do poder público.
- Receptação e transporte ilegal de madeira: (Art. 46 da mesma lei).
- Associação criminosa: (Art. 288 do Código Penal), que prevê a união de três ou mais pessoas para cometer delitos.
Desdobramentos da Operação Argus
A Justiça Federal também autorizou o compartilhamento de provas colhidas durante o processo. A medida visa identificar outros integrantes da rede criminosa. Além disso, foi determinada a destinação legal das câmeras apreendidas, que eram usadas ilegalmente para vigiar os próprios fiscais.
Fonte/Créditos: MPF/PA
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