Em dezembro de 2024, Josemira Gadelha terminará o mandato da qual foi eleita no ano de 2020 em dívida com a saúde do município: a prefeita não conseguirá cumprir todas as metas previstas no Plano Plurianual (PPA) desenvolvido pelo seu governo e aprovado pela Câmara Municipal.
Além de definir as metas para manutenção da máquina pública, a prefeita estabeleceu objetivos claros para melhorar a infraestrutura da saúde no município. O PPA destacava os propósitos de seu governo e previa os anos em que estes deveriam ser alcançados. Veja abaixo alguns dos objetivos traçados pela gestão.
- Construir quatro Unidades Básicas de Saúde (previstas para 2022 e 2023)
- Construir e equipar um moderno Centro de Referência em Diagnóstico e Tratamento da Mulher (previsto para 2024)
- Construir uma unidade de rede de frios (prevista para 2023)
- Construção da sede do Samu (prevista para 2023)
- Construir e equipar sede do CAPS (prevista para 2024)
- Construção e aparelhamento de um Centro de Especialidades Odontológicas (prevista para 2024)
- Construção da sede do Conselho Municipal de Saúde (prevista para 2023)
- Construção e aparelhamento do Centro de Formação para o Profissional da Saúde (previsto para 2025)
- Construir e aparelhar o CTA (previsto para 2024)
- Construir sede própria da Secretaria de Saúde (previsto para 2024)
- Construção do Hospital Municipal (prevista para 2023)
Dentre estas 11 metas estabelecidas pela gestão, nenhuma foi cumprida até o momento. O prédio do Samu, que tinha inauguração prevista para 2023, está praticamente pronto, mas não foi inaugurado até o momento e não há previsão de quando será.
Já estourado o prazo estabelecido para a construção de novas Unidades de Saúde, a prefeita abriu licitação para a construção de duas – uma na VS-52 e outra na Agrovila Nova Jerusalém, no entanto, ambas não devem ser entregues até o fim do ano.
O que mais preocupa é que a população de Canaã foi a que mais cresceu no Brasil na última década e a demanda pela atenção básica cresceu exponencialmente nos últimos quatro anos. A gestão tinha ciência do déficit na saúde, tanto que estabeleceu como objetivo a construção das unidades.
Metas como construção de unidade de frios, centro de especialidades odontológicas, construção da sede do CTA e CAPS sequer estão na pauta do governo neste momento e devem ter sido esquecidas pela gestão.
Faltou dinheiro?
A resposta é não. Recente levantamento feito pelo Gazeta Carajás mostrou que Canaã possui receita per capita superior a Dubai. Ao fim de 2024, quando completa quatro anos como prefeita, Josemira terá gerido pouco mais de R$ 7 bilhões em recursos próprios do município.
Só a saúde de Canaã ostentou orçamento superior a R$ 900 milhões, receita maior que a de vários municípios da região.
Para se ter uma ideia, a previsão é que o novo Hospital Municipal custe aos cofres públicos pouco mais de R$ 190 milhões. Com o voluptuoso orçamento canaense, quatro hospitais do tipo poderiam ter sido feitos.
Isso vale para Unidades Básicas de Saúde. Levando em conta que cada uma custe aos cofres públicos R$ 2 milhões, cerca de 450 poderiam ter sido construídas com o orçamento da Saúde.
E o tão sonhado hospital?
Objeto de propaganda, o projeto do Hospital Universitário de Canaã dos Carajás foi elaborado pela gestão que antecedeu a de Josemira. De forma quase atabalhoada, a prefeita fez dois eventos de lançamento das obras do novo hospital. Um em março de 2023, na sede da Prefeitura sem que houvesse sequer local definido para as obras, e outro em junho, já no terreno onde o hospital está sendo erguido.
A obra segue em passos lentos e não ficará pronta em 2024.
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