O avanço do El Niño está colocando diferentes regiões do Pará em estado de atenção para um período de seca mais intensa, temperaturas elevadas e aumento do risco de queimadas nos próximos meses. A combinação entre menor volume de chuvas, baixa umidade do ar e vegetação mais seca pode agravar os efeitos do verão amazônico, principalmente em áreas que historicamente apresentam maior vulnerabilidade durante a estiagem.
Municípios das regiões Sul, Sudeste, Oeste e da Transamazônica, como Marabá, São Félix do Xingu, Altamira e Novo Progresso, estão entre os pontos que exigem maior monitoramento. Nessas localidades, o período seco costuma ser mais intenso e prolongado, criando condições favoráveis para a propagação de incêndios florestais e aumentando os impactos para comunidades rurais, produtores e moradores de áreas isoladas.
Por que o interior do Pará é mais vulnerável?
O risco maior no interior está relacionado às características climáticas e territoriais dessas regiões. Durante o verão amazônico, áreas do Sul, Sudeste e Oeste paraense naturalmente passam por uma redução no volume de chuvas.
Com a influência do El Niño, esse cenário pode ser intensificado. O fenômeno altera a circulação atmosférica e pode dificultar a formação de nuvens de chuva em partes da Amazônia, favorecendo períodos mais longos de estiagem.
Na prática, os impactos do El Niño ocorrem em cadeia. A redução das chuvas prolonga o período de estiagem, fazendo com que o solo e a vegetação fiquem mais secos. Com menos umidade e temperaturas mais elevadas, aumenta a disponibilidade de material combustível na floresta e em áreas de pastagem, favorecendo a ocorrência e a rápida propagação de queimadas. Como consequência, o estado pode enfrentar piora na qualidade do ar, dificuldades no abastecimento de água, prejuízos à produção agropecuária e aumento dos riscos à saúde da população, principalmente em razão da fumaça e do calor extremo.
Além dos incêndios, a falta de chuva pode provocar impactos no transporte fluvial, no abastecimento de comunidades ribeirinhas e em atividades econômicas que dependem diretamente das condições ambientais.
Secas recentes mostram vulnerabilidade do Pará
A preocupação com um novo período de estiagem mais intenso também está relacionada aos impactos registrados na Amazônia em 2023. A seca, influenciada pelo El Niño e pelo aquecimento do Atlântico Tropical Norte, afetou diferentes regiões do estado, principalmente o Oeste paraense, onde o baixo nível do Rio Tapajós levou Santarém a decretar situação de emergência.
A redução das águas prejudicou o transporte fluvial, dificultou o acesso de comunidades ribeirinhas e afetou atividades econômicas que dependem dos rios. A estiagem também expôs a vulnerabilidade da logística em regiões ligadas aos eixos da BR-230 (Transamazônica) e da BR-163, onde a redução da navegabilidade pode comprometer o transporte de cargas e o abastecimento.
No Sul e Sudeste do Pará, o período seco historicamente aumenta o risco de queimadas e incêndios florestais. Municípios como São Félix do Xingu exigem atenção durante a estiagem devido à grande extensão territorial e às áreas rurais, onde a vegetação ressecada favorece a propagação do fogo.
Além dos impactos ambientais, a fumaça das queimadas representa um problema de saúde pública, podendo agravar doenças respiratórias e afetar principalmente grupos mais vulneráveis, como crianças e idosos.
Órgãos reforçam prevenção contra impactos da estiagem
Diante da possibilidade de um período seco mais intenso, instituições públicas começaram a reforçar ações de prevenção e monitoramento nas áreas consideradas mais vulneráveis. O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) articulou medidas para acompanhar municípios em situação de maior risco e fortalecer ações de fiscalização e prevenção contra queimadas.
As estratégias envolvem monitoramento ambiental, acompanhamento de áreas com maior incidência de focos de calor e orientação para que municípios estejam preparados para enfrentar possíveis impactos da estiagem.
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