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Meli: projeto criado por filha de indígena Omágua entra em nova fase com campanha de financiamento coletivo

Nova etapa da Meli prevê oficina de agrofloresta voltada à soberania alimentar, fortalecimento de lideranças indígenas e valorização dos conhecimentos tradicionais na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru

Meli: projeto criado por filha de indígena Omágua entra em nova fase com campanha de financiamento coletivo
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A Meli, organização criada pela engenheira e pesquisadora Ana Rosa de Lima, filha de uma mulher indígena do povo Omágua nascida no Alto Solimões e criada em Marabá, iniciou uma nova etapa de atuação na Amazônia. O projeto foi selecionado por um programa internacional de matchfunding — modalidade de financiamento coletivo em que as doações arrecadadas recebem uma contrapartida financeira do fundo apoiador —, o que permitirá ampliar as ações desenvolvidas junto às comunidades indígenas da região do Alto Solimões, no Amazonas.

A nova fase vai concentrar esforços em um dos principais desafios enfrentados pelas comunidades da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru: a soberania alimentar. Os recursos obtidos por meio da campanha serão destinados à realização de uma oficina de agrofloresta voltada ao fortalecimento da produção de alimentos locais, ao reconhecimento dos conhecimentos tradicionais e à valorização da biodiversidade amazônica.

A iniciativa também representa um marco pessoal para Ana Rosa. Filha de uma mulher Omágua do Alto Solimões, ela cresceu em Marabá. O trabalho que vem desenvolvendo pela Meli possibilitou sua reconexão com as próprias raízes. Esse processo a levou de volta ao território de origem da família, onde retomou o contato com parentes do povo Omágua e fortaleceu vínculos com lideranças indígenas de diferentes etnias.

Além dos Omágua, a organização mantém atualmente parcerias com povos como Kokama e Tikuna, além de dialogar com outras comunidades da região. A proposta é ampliar essa rede de colaboração por meio de atividades ligadas à agrofloresta, meliponicultura, educação e valorização cultural.

Segundo a organização, apesar da riqueza ambiental e da grande diversidade de espécies presentes no Alto Solimões, muitas comunidades convivem com dificuldades relacionadas ao acesso a alimentos produzidos localmente. Em diversas localidades, produtos ultraprocessados que percorrem longas distâncias pelos rios amazônicos acabam ocupando espaço na alimentação, enquanto conhecimentos tradicionais sobre cultivo e manejo da floresta precisam ser fortalecidos.

A campanha de arrecadação utiliza um modelo considerado inovador de financiamento coletivo. Em vez de privilegiar grandes doações individuais, o sistema amplia o valor destinado ao projeto conforme aumenta o número de pessoas que contribuem. Na prática, muitas pequenas doações geram um impacto maior na contrapartida financeira do que uma única contribuição de alto valor, estimulando a participação coletiva.

Criada há pouco mais de 6 anos, a Meli já realizou oficinas de agrofloresta, meliponicultura e contação de histórias, além de coordenar a publicação de seis livros escritos por mulheres indígenas do Brasil, Peru, Equador e México. Atualmente, a organização reúne uma ampla rede de lideranças indígenas e parceiros, especialmente na América Latina, promovendo intercâmbios de conhecimento e fortalecendo a representação desses povos em espaços internacionais.

Ainda neste mês, Ana Rosa participará da sessão do Mecanismo de Especialistas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (EMRIP), realizada em Genebra, na Suíça, levando pela primeira vez essa rede de lideranças para um espaço vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU).

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Sergio Manoel

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Sergio Manoel

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