A recente reunião do prefeito de Marabá, Toni Cunha (PL), com a vice-governadora do Pará, Hana Ghassan (MDB), é mais do que um mero registro fotográfico nas redes sociais. Ela representa um movimento necessário e, por que não dizer, tardio de um gestor público compreendendo a real natureza de seu cargo.
Ao buscar o diálogo com o Governo do Estado para tratar de demandas municipais, Toni Cunha parece estar assimilando uma lição fundamental: a administração pública eficiente se faz construindo pontes, e não alimentando muros. O prefeito deixou momentaneamente de lado suas "quase inúteis convicções ideológicas" para priorizar o que, de fato, importa: os interesses da população que representa.
Sua própria declaração, de que "os interesses legítimos do marabaense por melhor qualidade de vida sempre estarão acima de questões partidárias e eleitorais", soa como um reconhecimento tardio de um princípio republicano básico. É esse o caminho que se espera de qualquer chefe do Executivo municipal, independentemente de sua coloração partidária.
É verdade que, em seguida, o prefeito se sentiu na obrigação de reafirmar sua lealdade ao bolsonarismo e ao PL, num claro movimento para acalmar sua base eleitoral. No entanto, o gesto concretizado na reunião fala mais alto do que as justificativas políticas. A ação demonstra uma guinada em direção à sobriedade que a gestão pública exige.
Se este for um novo caminho que Toni Cunha decide trilhar, priorizando o trabalho concreto em detrimento de qualquer ideologia cega, Marabá só tem a ganhar. A possibilidade de uma futura convergência política em benefício do município, como um eventual apoio à vice-governadora em 2026, pode ser indigesta para uma parcela de seus apoiadores, mas é um sinal de amadurecimento político em prol do coletivo.
Que este encontro seja o primeiro de muitos, e que a busca por soluções para Marabá continue a falar mais alto do que qualquer bandeira. A cidade agradece.
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