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Vale pode perder o direito de operar no Projeto Sossego em Canaã dos Carajás

Por causa de derrotas na justiça, Vale vê negócio bilionário de cobre ameaçado. Pequena empresa de Goiás ameaça hegemonia da gigante Vale e já enviou documento pedindo que operações sejam paralisadas

Vale pode perder o direito de operar no Projeto Sossego em Canaã dos Carajás
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A mineradora Vale tem um problemão administrativo para resolver nos próximos dias. A empresa foi derrotada na justiça em várias instâncias e pode perder o direito de explorar parte significativa do Projeto Sossego em Canaã dos Carajás, o que inviabilizaria sua operação bilionária de exploração de cobre em uma das maiores jazidas do Brasil.

Quem questiona a legitimidade da operação da Vale no Sossego é a GB Locadora de Equipamentos e Construções LTDA, uma pequena empresa do estado de Goiás, que está no centro do imbróglio judicial administrativo envolvendo o projeto. A empresa enviou à Vale notificação extrajudicial pedindo que a mineradora paralise todas as suas operações em uma área de 3.818 hectares dentro da Mina do Sossego.

A GB Locadora quer que a Vale "se abstenha imediatamente de realizar qualquer trabalho de pesquisa, além de novos aportes de rejeitos na barragem da Mina do Sossego, desenvolvimento ou lavra em suas operações" destaca o documento. A GB afirma ainda que espera não haver "qualquer tipo de interferência, impacto ou degradação na citada área, sob pena de providências judiciais e administrativas cabíveis".

Leia mais: Em nota, Vale afirma que ação judicial não impacta operações do Projeto Sossego

Por que a Vale perderia o direito de explorar o Sossego?

A notificação enviada à Vale pela GB é o resultado de oito anos de intensos debates judiciais. Para quem não sabe, a Vale explora o Sossego desde 2004, após ter descoberto a mina e o seu potencial já no fim dos anos 90.

Em 2014, a Vale tinha o alvará de pesquisa mineral da área, mas não o renovou dentro do prazo para garantir a manutenção de sua titularidade junto ao antigo Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM) - este passou a se chamar Agência Nacional de Mineração (ANM).

Sem a Vale renovar dentro do prazo sua concessão legal de exploração, o empresário Cláudio Luiz da Costa, dono da GB, teve acesso à informação e requisitou o pedido de exploração da área para si. À época, o critério para pesquisar uma área mineral era o famoso "chegar primeiro". Como a área estava "livre", a GB conseguiu o direito legal de pesquisar a área.

Desde então, a poderosa Vale iniciou uma série de questionamentos judiciais e chegou a obter vitórias na justiça, em primeira instância, para retomar a área e continuar suas operações integrais na área. A GB, no entanto, não se deu por vencida e levou a briga para instâncias superiores, o que mudou o jogo.

No fim de 2022, a Vale foi derrotada judicialmente no Tribunal Regional Federal (TRF). A gigantesca mineradora recorreu e levou o caso para o Superior Tribunal  de Justiça (STJ), onde também foi vencida. Sem se conformar com as derrotas, a Vale recorreu à segunda turma do STJ e perdeu, desta vez, por unanimidade.

Sem dar o braço a torcer, a Vale entrou com um processo de "embargos da declaração", uma medida que questiona afirmações feitas pela defesa da GB Locadora.

Um agravante ainda maior para a Vale: a ANM, que no passado também chegou a questionar o direito da GB Locadora, já se deu por vencida e publicou em 23 de janeiro de 2023 a "outorga do alvará de pesquisa" para a empresa de Goiás. O documento vale por três anos e garante à GB direitos de exploração da área.

A Vale foi questionada sobre o assunto e respondeu que as operações no Sossego seguem em curso e que não vai comentar "processos judiciais em curso".

"Nesse caso, entretanto, cumpre-nos esclarecer que a ação judicial mencionada não impacta a continuidade operacional da Mina do Sossego pela Vale. A Vale responderá formalmente a notificação extrajudicial da GB Locadora”, explicou a Vale em nota enviada ao jornal Estadão.

A GB também se manifestou por meio de nota e destacou que "não pode se pronunciar porque obedece ao período de silêncio, em face de negociações em curso com investidores”.

Como seriam as operações da GB Locadora?

A GB tem na mineração um negócio secundário. O verdadeiro negócio da empresa é aluguel de máquinas para construções de estradas.

A empresa, então, procuraria uma empresa parceira para explorar a região.

(Com informações do repórter André Borges - Estadão)

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Kleysykennyson Carneiro

Publicado por:

Kleysykennyson Carneiro

Editor-chefe do Gazeta Carajás. Com mais de 15 anos de atuação no jornalismo, sua trajetória inclui passagens por televisão, assessoria institucional e direção de grandes eventos.

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