A terça-feira, 20, amanheceu diferente no campus Guamá. Nomes aguardados há meses ganharam forma no listão do Processo Seletivo Especial Indígena e Quilombola 2026, divulgado pela Universidade Federal do Pará (UFPA), dando início a uma semana marcada por comemorações, expectativa e novos projetos de vida.
A divulgação oficial ocorreu nessa segunda-feira, 19, em cerimônia realizada na UFPA, com transmissão ao vivo pelo YouTube da instituição. Lideranças acadêmicas, estudantes e familiares acompanharam o anúncio, muitos deles direto de seus territórios, conectando aldeias, quilombos e a universidade em um mesmo momento simbólico.
Em 2026, a UFPA ofertou 760 vagas, divididas igualmente entre indígenas e quilombolas. O processo seletivo registrou 2.297 inscritos. Ao final, 423 vagas foram preenchidas, sendo 380 destinadas a candidatos quilombolas e 96 a candidatos indígenas, consolidando a dimensão do programa dentro da política de acesso ao ensino superior. Durante o evento, o reitor Gilmar Pereira da Silva destacou o alcance do processo.
“Este processo tem um peso profundamente político e social. Ele afirma que a universidade pública precisa reconhecer as desigualdades históricas e agir para transformá-las. Garantir o acesso de indígenas e quilombolas ao ensino superior é fortalecer territórios, culturas e projetos de futuro para a Amazônia”, afirmou.
Os dados do processo revelam também o perfil da demanda. Entre candidatos indígenas, os cursos mais disputados estão nas áreas da saúde, ciências sociais aplicadas e ciências agrárias. Medicina (Belém e Altamira) liderou a concorrência, seguida por Enfermagem, Educação Física, Administração, Odontologia, Fisioterapia, Direito, Biomedicina e Agronomia.
No grupo quilombola, a procura se concentrou em formações estratégicas para o fortalecimento comunitário. Educação Física, Fisioterapia, Medicina, Psicologia, Enfermagem, Pedagogia, Agronomia, Administração, Terapia Ocupacional e Ciências Naturais figuram entre os cursos mais buscados, com destaque para ofertas vinculadas aos campi de Cametá e ao polo de Baião.
A política afirmativa adotada pela UFPA, aliada ao modelo multicampi, amplia o alcance da universidade pública em regiões afastadas dos grandes centros e fortalece a presença institucional em territórios tradicionais, conectando formação acadêmica, identidade cultural e desenvolvimento regional.
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