O sacerdote Frei Gilson foi alvo de uma representação apresentada ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) nesta terça-feira (5/5), sob acusação de ter feito falas consideradas discriminatórias contra pessoas LGBT+ e mulheres durante pregações e transmissões realizadas em redes sociais.
A denúncia foi protocolada pelo ex-noviço e jornalista Brendo Silva, que afirma ter reunido vídeos e registros de falas do religioso em que ele utiliza termos como “homossexualismo” e descreve a orientação sexual como “desordem” e “depravação grave”. Segundo o documento, também haveria conteúdos em que o sacerdote defende a submissão feminina aos homens.
“Liberdade religiosa não é liberdade para odiar”, argumenta Brendo Silva na representação enviada aos promotores.
De acordo com o procedimento do Ministério Público, o caso passa agora por uma análise preliminar que definirá se haverá abertura de investigação formal. A apuração pode ser encaminhada ao Gecradi, grupo especializado no combate a crimes de intolerância, ou arquivada caso não sejam encontrados elementos suficientes para investigação.
No estado de São Paulo, manifestações consideradas discriminatórias com base em orientação sexual podem ser enquadradas na Lei Estadual 10.948/2001. Além disso, desde decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2019, a homofobia e a transfobia passaram a ser equiparadas ao crime de racismo.
Frei Gilson é conhecido por sua forte presença digital e por liderar o ministério Som do Monte, com transmissões religiosas que reúnem grande público online. Suas lives de oração frequentemente alcançam milhares de espectadores, especialmente durante a madrugada no YouTube.
O religioso também tem histórico recente de repercussão pública. Em abril deste ano, declarações suas foram criticadas por autoridades políticas, que apontaram possível conteúdo misógino em falas sobre papéis de gênero.
Até o momento, Frei Gilson e sua equipe não se manifestaram oficialmente sobre a denúncia. O espaço segue aberto para posicionamento.
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