A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), virou alvo de fortes críticas, nesta segunda-feira (20), ao classificar a atual situação financeira da magistratura como “muito triste” e comparar as condições de trabalho da categoria ao regime de escravidão.
A declaração ocorreu durante a 8ª sessão da 3ª Turma de Direito Penal, em reação à extinção de benefícios extras determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante a sessão, a desembargadora afirmou que as narrativas construídas sobre a magistratura transformaram juízes em “vilões” e “bandidos”.
“A situação que a magistratura vive hoje é essa. Colegas estão deixando de frequentar gabinetes de médicos porque não vão poder pagar a consulta, outros estão deixando de tomar remédios. É muito triste”, declarou Eva do Amaral Coelho.
A magistrada defendeu a carga horária da categoria, mencionando o trabalho realizado em plantões, fins de semana e madrugadas, e criticou o uso da expressão “penduricalhos”, que classificou como “chula e vagabunda”.
Apesar do desabafo sobre dificuldades financeiras, os dados de transparência do tribunal revelam vencimentos expressivos. Em março de 2025, a magistrada recebeu um salário líquido de R$ 91 mil. No mesmo período do ano anterior, antes das restrições impostas pela Suprema Corte aos chamados “penduricalhos”, o valor líquido recebido pela desembargadora ultrapassou os R$ 185 mil.
A fala da magistrada é uma resposta direta à decisão do STF que extinguiu 15 tipos de benefícios e limitou as verbas indenizatórias a 35% do subsídio mensal (atualmente fixado em R$ 46.366,19).
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