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Canaã agonizou: cidade mais rica do Pará ficou 14h sem energia elétrica

Episódio, quase bíblico, fica marcado na história como o “Dia em que Canaã parou”, um dia em que o município perdeu R$ 60 milhões pela falta de energia elétrica.

Canaã agonizou: cidade mais rica do Pará ficou 14h sem energia elétrica
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Era por volta de 6h30 da manhã quando estouros foram ouvidos em diversos transformadores no centro e na entrada de Canaã dos Carajás. O fogo tomou conta de postes e, instantaneamente, quase toda a cidade ficou sem energia. Faltando uma hora para o início do horário comercial de uma quarta-feira, 22 de outubro, o canaense se viu em um isolamento total. Sem energia, as comunicações pifaram, a internet despareceu e uma agonia que durou cerca de 14 horas teve início.

Às 8h da manhã, milhares de trabalhadores deixaram suas casas para mais um dia de trabalho. No entanto, a escuridão no comércio era total. Os atendimentos, em várias lojas, precisaram acontecer de forma manual, com vendedores praticamente tateando no escuro a procura dos produtos solicitados pelos clientes. Muitas vendas foram perdidas, lojas tiveram que fechar as portas e funcionários foram liberados para casa.

Escolas também liberaram os alunos, hospitais tiveram que apelar para geradores, o que elevou gastos com combustíveis fósseis. Um caos total. Tal qual o evento bíblico narrado em Josué 10:12, a Terra Prometida, maior economia do Pará, viveu sua epopeia: O dia em que Canaã parou...

Entrementes, as equipes da Equatorial Energia trabalharam desde as primeiras horas do dia para reestabelecer o fornecimento para toda a cidade. O efetivo de trabalhadores foi dobrado, explicou a empresa em nota, mas o problema foi devastador: a rede elétrica canaense sofreu avarias sérias demais para ser resolvida durante o horário comercial. De acordo com a própria Equatorial, os incêndios tiveram início em cabos de fibra ótica para fornecimento de internet – que acabou se espalhando para transformadores e cabos de alta tensão.

Uma outra explicação

O jornalista Nilvan Oliveira apurou em primeira mão, junto ao engenheiro elétrico Adalnísio Neto, que conhece a rede elétrica local, o que pode ter acontecido. O profissional elaborou um relatório aprofundado sobre o problema.

De acordo com ele, o sistema da cidade é abastecido por vários circuitos, chamados de CD-01, CD-07 e CD-08. Tudo começou na segunda-feira (20), quando um equipamento conhecido como "chave faca", em um trecho do circuito CD-01, derreteu. Para resolver o problema rapidamente, foi feita uma solução provisória: duas das três fases de energia foram ligadas diretamente, ignorando a chave quebrada.

Porém, essa solução temporária não foi consertada de forma definitiva, explicou Adalnísio. Na quarta-feira de manhã, o mesmo ponto consertado de maneira improvisada falhou novamente. Isso fez com que o problema no circuito CD-01 se espalhasse em um efeito dominó, atingindo os circuitos CD-07 e CD-08 e causando um grande blecaute.

Segundo engenheiro, a causa imediata do colapso foi justamente a manutenção provisória mal feita, que deixou de substituir a chave quebrada e manteve as fases conectadas de forma insegura. Ainda de acordo com Adalnísio, por trás disso, existem causas mais profundas: a rede elétrica sofre com a falta de equipamentos adequados para fazer reparos sem cortar a energia para todos e o circuito CD-01 já operava cronicamente sobrecarregado. Além disso, o sistema de proteção, que deveria isolar uma falha para ela não se espalhar, se mostrou ineficiente.

Em resumo, finalizou o engenheiro, o blecaute foi causado por um ponto crítico na rede que foi mal reparado e não foi corrigido a tempo, agravado por uma rede sobrecarregada e com proteção insuficiente.

A Equatorial divulgou outra nota no final da quarta explicando que 85% dos clientes foram normalizados ao longo do dia e que as causas ainda estão sendo apuradas. A empresa não comentou a explicação do eletricista.

Economia parada

A falta de energia prejudica diretamente a economia de Canaã dos Carajás, que é, proporcionalmente, a maior do Pará. Isso ficou bastante claro ao longo de toda quarta-feira, com os comércios fechados e ausência total de comunicação.

Considerando o Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 34,9 bilhões, Canaã dos Carajás movimenta cerca de R$ 97 milhões todos os dias. A cada hora, o movimento é superior a R$ 4 milhões.

Considerando as 14 horas sem energia, Canaã dos Carajás deixou de movimentar cerca de R$ 60 milhões – um prejuízo difícil de ser reparado. A balança comercial de outubro deve ficar bastante prejudicada pelo Dia em que Canaã dos Carajás parou. Um evento sem precedentes históricos na cidade.

Por volta das 20h30, a energia foi reestabelecida para todos os bairros, incluindo os mais afetados. No entanto, a lembrança e os efeitos do dia ainda devem ecoar por algum tempo em Canaã.

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Kleysykennyson Carneiro

Publicado por:

Kleysykennyson Carneiro

Editor-chefe do Gazeta Carajás. Com mais de 15 anos de atuação no jornalismo, sua trajetória inclui passagens por televisão, assessoria institucional e direção de grandes eventos.

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