O governador Helder Barbalho anunciou, na sexta-feira (23), a intenção do Governo do Pará de pôr fim ao monopólio da travessia hidroviária entre Icoaraci e o porto de Camará, em Salvaterra, no arquipélago do Marajó. O serviço, essencial para o deslocamento de moradores, trabalhadores e para o escoamento de mercadorias, é operado há mais de duas décadas por uma única empresa.
Segundo o governador, o modelo atual, baseado em um único operador, não atende mais à realidade e tem gerado reclamações recorrentes da população. A proposta é abrir a linha para outros operadores, ampliando a concorrência como forma de melhorar o atendimento, ampliar horários e buscar preços mais justos.
A travessia Icoaraci–Camará passou a operar sob regime de exclusividade ainda no fim dos anos 1990, a partir de concessões concedidas pelo próprio Estado. Desde então, a operação é realizada pela empresa Henvil Transportes, que manteve a exclusividade ao longo de diferentes governos estaduais.
Mesmo com mudanças administrativas e legais no setor de transporte hidroviário, o modelo permaneceu sem concorrência formal. Fontes do setor apontam que a manutenção do monopólio esteve associada à complexidade logística da rota, à ausência inicial de interesse de outras empresas e à falta, por longos períodos, de uma política estadual voltada à abertura do mercado fluvial.
Nos últimos anos, a travessia passou a ser alvo de mobilização de movimentos populares, associações comunitárias e representantes do Marajó. Protestos, audiências públicas e denúncias em redes sociais expuseram problemas como atrasos frequentes, falhas mecânicas, cancelamentos de viagens e tarifas elevadas.
Essas ações mantiveram o tema no debate público e pressionaram o poder público por mudanças. Lideranças comunitárias passaram a defender de forma mais organizada a quebra do monopólio como alternativa para melhorar o serviço e reduzir custos, especialmente em períodos de maior demanda.
A manifestação do governador ocorre em um contexto de maior atenção do Estado à infraestrutura fluvial e à integração regional, com investimentos recentes em terminais hidroviários. O governo afirma estar organizando as condições legais e regulatórias para permitir a entrada de novos operadores na rota.
Comentários: