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Após décadas, Helder põe fim ao monopólio na travessia Icoaraci-Camará

Ligação entre Belém e Salvaterra é operada há mais de 25 anos por uma única empresa e concentra histórico de críticas, protestos e ações populares

Após décadas, Helder põe fim ao monopólio na travessia Icoaraci-Camará
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O governador Helder Barbalho anunciou, na sexta-feira (23), a intenção do Governo do Pará de pôr fim ao monopólio da travessia hidroviária entre Icoaraci e o porto de Camará, em Salvaterra, no arquipélago do Marajó. O serviço, essencial para o deslocamento de moradores, trabalhadores e para o escoamento de mercadorias, é operado há mais de duas décadas por uma única empresa.

Segundo o governador, o modelo atual, baseado em um único operador, não atende mais à realidade e tem gerado reclamações recorrentes da população. A proposta é abrir a linha para outros operadores, ampliando a concorrência como forma de melhorar o atendimento, ampliar horários e buscar preços mais justos.

A travessia Icoaraci–Camará passou a operar sob regime de exclusividade ainda no fim dos anos 1990, a partir de concessões concedidas pelo próprio Estado. Desde então, a operação é realizada pela empresa Henvil Transportes, que manteve a exclusividade ao longo de diferentes governos estaduais.

Mesmo com mudanças administrativas e legais no setor de transporte hidroviário, o modelo permaneceu sem concorrência formal. Fontes do setor apontam que a manutenção do monopólio esteve associada à complexidade logística da rota, à ausência inicial de interesse de outras empresas e à falta, por longos períodos, de uma política estadual voltada à abertura do mercado fluvial.

Nos últimos anos, a travessia passou a ser alvo de mobilização de movimentos populares, associações comunitárias e representantes do Marajó. Protestos, audiências públicas e denúncias em redes sociais expuseram problemas como atrasos frequentes, falhas mecânicas, cancelamentos de viagens e tarifas elevadas.

Essas ações mantiveram o tema no debate público e pressionaram o poder público por mudanças. Lideranças comunitárias passaram a defender de forma mais organizada a quebra do monopólio como alternativa para melhorar o serviço e reduzir custos, especialmente em períodos de maior demanda.

A manifestação do governador ocorre em um contexto de maior atenção do Estado à infraestrutura fluvial e à integração regional, com investimentos recentes em terminais hidroviários. O governo afirma estar organizando as condições legais e regulatórias para permitir a entrada de novos operadores na rota.

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Sergio Manoel

Publicado por:

Sergio Manoel

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