Outrora maior bandeira do governo Benjamin Tasca, a educação de Itupiranga vive um caos sem precedentes. Moradores da zona urbana e da zona rural do município procuraram a redação do Gazeta Carajás para denunciar a situação, que está cada vez mais insustentável.
Uma das piores situações é a da Escola Amélia Ribeiro, que fica no PA Uirapuru, na Vila Boa Esperança. As crianças foram obrigadas a estudar em um barracão de madeira que possui chão de terra. Sem mais explicações, as crianças foram obrigadas a deixar o prédio da unidade escolar e ficar no barracão, que segundo informações pertence ao Movimento Sem Terra. Os pais dos alunos já se mobilizam para denunciar a situação junto ao Ministério Público, visto que isso dificulta e muito o aprendizado.
Mas as denúncias não param por aí. Os moradores, que não querem se identificar e pediram para que suas identidades sejam mantidas em sigilo por medo de represálias, dizem que outras escolas do município estão com estrutura precária, caindo aos pedaços.
Outro ponto de reclamação é a falta de material de apoio pedagógico. De acordo com eles, nas escolas da zona rural faltam até livros didáticos. “A proposta do governo é leitura e escrita. Como as pessoas vão ler se não tem livro?” questionam.
Política nas escolas
Outro grande problema denunciado pelos moradores é a politização dos servidores destacados para atuar nas unidades escolares. Todos os diretores escolhidos para escolas da zona rural são indicações de um vereador itupiranguense, afirmam. A partir daí, a escola vira uma zona de guerra e a perseguição a quem não concorda com as posições políticas do governo é prejudicado.
Cruzeiro do Sul prejudicada
O distrito de Cruzeiro do Sul, a popular 4 Bocas, também sofre com o caos da educação de Itupiranga. Em 2022, a Escola José Inocente Junior, que fica na localidade, teria ficado de fevereiro a julho sem professor de matemática. No meio do ano, até que chegou o professor da disciplina, mas a escola ficou sem o mestre de língua portuguesa pelo resto do ano.
Outro problema que os moradores denunciam é que alunos das aldeias indígenas ficaram sem aulas até setembro. O motivo? Falta de transporte escolar.
Os professores das 4 Bocas são ainda obrigados a irem até a sede do município de Itupiranga, que fica a 180 quilômetros de chão, para participar de formação continuada. Isso faz com que as aulas fiquem paradas por dias. Ou seja, mais uma complicação para o calendário escolar.
Problemas na merenda escolar
Por fim, os moradores denunciam ainda o que chamam de “catástrofe” na merenda escolar das escolas da zona rural. Segundo eles, é servido somente cuscuz, sopa de letrinhas, biscoito de água e sal e achocolatado.
O que já está ruim piora, contam. O vergonhoso cardápio da merenda escolar não dura o mês inteiro e quando acaba, o aluno é obrigado a ir embora no quarto horário, já que não a unidade não fornece alimentação obrigatória.
Silêncio total
À revelia do caos vivido pelas escolas, a Prefeitura de Itupiranga mantém a política do silêncio e não se manifesta sobre o assunto. Apesar da mobilização dos pais e responsáveis pelos estudantes, os problemas continuam e ninguém sabe ao certo se a gestão vai tomar medidas para resolver a situação dos estudantes.
O prefeito Benjamin Tasca também não falou sobre o assunto.
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