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Famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) avançaram, na manhã desta sexta-feira (6), sobre a sede da antiga Fazenda Entre Rios, localizada na Gleba Itacaiúnas, em Marabá. A movimentação marca uma nova etapa da disputa pela área, que envolve famílias acampadas, o grupo familiar Miranda, a União e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
O avanço ocorreu após a União e o Incra formalizarem um pedido de posse do imóvel em favor das famílias do acampamento Maria da Glória. A área já vinha sendo ocupada pelo grupo, mas, nesta sexta-feira, as famílias avançaram sobre a sede da propriedade e assumiram o controle territorial do espaço.
A Fazenda Entre Rios foi destinada ao Projeto de Assentamento Maria da Glória em 23 de dezembro de 2025. A área possui aproximadamente 4.869 hectares e deverá beneficiar 194 famílias de trabalhadores rurais.
A disputa pela área ganhou novos desdobramentos após a União e o Incra ingressarem com uma ação civil pública na Justiça Federal, em abril de 2026, para obter a posse do imóvel. Segundo os órgãos, a área integra a Gleba Itacaiúnas e pertence à União.
Na ação, o Incra aponta indícios de que o imóvel teria sido dividido irregularmente em duas propriedades, com o objetivo de contornar o limite de 2.500 hectares previsto para regularização fundiária. Os levantamentos do instituto indicaram que as duas áreas formariam, na realidade, um único imóvel rural.
O caso também foi discutido em audiência pública mediada pela Vara Agrária de Marabá, que declinou da competência para analisar a questão, deixando a decisão sobre a posse sob responsabilidade da Justiça Federal.
A ocupação da área pelas famílias do acampamento Maria da Glória começou em maio de 2026 e foi marcada por tensão e conflitos envolvendo trabalhadores rurais, fazendeiros da região e forças de segurança.
Desde então, a disputa pela Fazenda Entre Rios passou a envolver questionamentos sobre a origem da ocupação e a regularidade dos pedidos de regularização fundiária apresentados em nome de terceiros.
Com o avanço das famílias sobre a sede da propriedade nesta sexta-feira, o conflito entra em uma nova fase. Apesar da movimentação, ainda não há decisão definitiva da Justiça Federal sobre a posse do imóvel.
Publicado por:
Giovanna Noláscio
Repórter e redatora da Gazeta Carajás, destaca-se pela entrega e conexão com temas urgentes da região. Com experiência em coberturas intensas, como o resgate de garimpeiros em Canaã e a política no Sul e Sudeste do Pará, une sensibilidade e firmeza...
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