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Mais de R$ 2 bilhões por ano para administrar uma cidade de 100 mil habitantes. É esse o tamanho do poder que estará em disputa em Canaã dos Carajás nas eleições de 2028. Essa capacidade financeira e poderio de fogo para trabalhar torna o cargo de Josemira Gadelha, prefeita de Canaã há quase seis anos, um dos mais cobiçados do Brasil e há, naturalmente, muitos interessados na sua sucessão. Afinal, ser prefeito de Canaã dos Carajás hoje é o emprego dos sonhos para qualquer político.
Josemira chegará à sucessão com um capital político difícil de ignorar. Reeleita com 44.363 votos, ou 80,51% dos votos válidos, Josemira é a pessoa mais votada para o Executivo na história de Canaã. Sua gestão também alcançou aprovação histórica de 94,9% em levantamento do Instituto Opinião realizado em novembro de 2025. Já em seu segundo mandato, não poderá disputar novamente em 2028, mas terá papel central na escolha de quem continuará comandando a Terra Prometida. Dentro da base, aparecem nomes fortes como o vice-prefeito Dinilson José, que também assumiu a Secretaria de Obras, e o empresário Ailson da Talismã, ex-vereador e ex-presidente da Câmara, com presença crescente nas articulações locais.
No momento, a indicação de Dinilson parece natural e é algo que a maioria do próprio MDB deseja. Dinilson tem força em Canaã, é querido e possui quase nenhuma rejeição. Porém, Ailson da Talismã articula por fora a indicação, tem apoio de parlamentares e pode surgir como alternativa dentro do próprio grupo. Há ainda outros empresários que tem o sonho de uma indicação, porém um sonho mais distante.
A indicação de Josemira vale ouro. Além da popularidade e da projeção conquistada no Pará, a prefeita tem a seu lado a estrutura do MDB, que mantém o comando municipal desde 2013, e a força política de uma administração com orçamento bilionário. Em 2026, acrescentou uma demonstração concreta de sua capacidade de transferir votos: ajudou a eleger o marido, Eugênio Gadelha, deputado estadual, colocando prestígio e esforço pessoal na campanha. A conquista ampliou a presença do grupo para além da prefeitura e levou à Assembleia Legislativa um representante diretamente ligado a Canaã. Para Dinilson, Ailson ou qualquer outro pretendente da base, conquistar o apoio da prefeita será uma etapa decisiva da disputa.
Na oposição, o ex-prefeito Jeová Andrade (PL) já declarou que pretende concorrer em 2028. Também aparecem entre as alternativas o vereador Cleido Braz (União Brasil) e o advogado Vinícius Borba, anunciado para assumir a Secretaria de Meio Ambiente do Pará a partir de janeiro de 2027. Os três integram o campo da direita e enxergam na votação de Flávio Bolsonaro e Daniel Santos em Canaã uma oportunidade para enfrentar o grupo governista. A vitória de Daniel abre um canal com o governo estadual, enquanto o cargo de Borba poderá ampliar sua visibilidade e articulação. A derrota nacional de Flávio no segundo turno, por outro lado, retira desse campo a perspectiva de contar também com um aliado na Presidência.
O tamanho do orçamento explica por que a disputa promete ser intensa. Quem vencer terá nas mãos decisões que influenciam obras, serviços, empregos e o desenvolvimento de uma das principais cidades mineradoras do país. A oposição começa a se organizar e tem condições de incomodar, mas transformar votos para presidente e governador em apoio municipal exige mais do que alinhamento ideológico. Josemira mantém um histórico de aprovação elevada e demonstrou força na eleição de Eugênio. Nesse cenário, a avaliação é que seu escolhido partirá em vantagem, sobretudo se conseguir manter a base unida. A cadeira é cobiçada pelo poder da prefeitura.
Publicado por:
Kleysykennyson Carneiro
Editor-chefe do Gazeta Carajás. Com mais de 15 anos de atuação no jornalismo, sua trajetória inclui passagens por televisão, assessoria institucional e direção de grandes eventos.
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