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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia na quinta-feira (5), em meio a uma grave crise financeira e política provocada pelo colapso do Ueno Bank, instituição que administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos. O pedido foi encaminhado ao Congresso Nacional, em meio à pressão de parlamentares e manifestações populares contra o governo.
A crise ganhou proporções nacionais depois que o Banco Central do Paraguai interveio na instituição financeira, na terça-feira (3), após identificar problemas de solvência e descumprimento dos índices mínimos exigidos. Com a intervenção, contas foram bloqueadas e operações financeiras suspensas, deixando aproximadamente 3 milhões de clientes sem acesso ao próprio dinheiro. O número representa uma parcela expressiva da população paraguaia.
Além dos depósitos de clientes, o banco administrava recursos de órgãos públicos, incluindo fundos previdenciários e valores ligados a instituições estatais. Parte desse dinheiro estava vinculada ao sistema de aposentadorias do país, aumentando a preocupação sobre a possibilidade de recuperação dos recursos.
O caso também levantou questionamentos sobre a relação de Peña com a instituição. O presidente foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, até março de 2025. Parlamentares passaram a cobrar explicações sobre possíveis conflitos de interesses e a destinação de recursos públicos ao banco.
A crise também atingiu a cúpula do Banco Central paraguaio. O presidente da instituição, Carlos Carvallo, deixou o cargo após a repercussão do caso. Ele havia presidido anteriormente uma financeira ligada ao grupo controlador do Ueno.
O fechamento do banco provocou filas, manifestações e reclamações de clientes que ficaram impossibilitados de movimentar suas economias. A situação aumentou a pressão sobre o governo e levou parlamentares da oposição e integrantes da base governista a defenderem o afastamento de Peña.
Antes do anúncio da renúncia, deputados apresentaram um pedido de impeachment contra o presidente e seu vice, Pedro Alliana. Após a manifestação de Peña, a Câmara dos Deputados aprovou o processo de impeachment por unanimidade, com 78 votos. A tramitação seguiu para o Senado.
O Ministério Público paraguaio também abriu investigações criminais para apurar possíveis irregularidades relacionadas ao banco. Oito executivos foram alvo de ordens de prisão, enquanto 27 pessoas foram formalmente acusadas por suposto envolvimento em irregularidades financeiras.
O vice-presidente Pedro Alliana é apontado como possível sucessor de Peña, caso a renúncia seja aceita pelo Congresso. A definição da sucessão e os desdobramentos do processo de impeachment dependem das decisões dos parlamentares.
A crise do Ueno Bank também passou a ser comparada ao caso do Banco Master, no Brasil, devido ao envolvimento de recursos financeiros, questionamentos sobre a gestão e repercussões políticas.
Publicado por:
Giovanna Noláscio
Repórter e redatora da Gazeta Carajás, destaca-se pela entrega e conexão com temas urgentes da região. Com experiência em coberturas intensas, como o resgate de garimpeiros em Canaã e a política no Sul e Sudeste do Pará, une sensibilidade e firmeza...
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