Congonhas entra em alerta após dois rompimentos de estruturas da Vale em menos de 24 horas
Prefeitura suspende alvarás da mineradora e aponta falta de comunicação prévia sobre os incidentes; impactos atingiram comunidades e o Rio Maranhão
Congonhas, na região Central de Minas Gerais, viveu momentos de alerta após registrar, em menos de 24 horas, dois rompimentos de estruturas ligadas à Vale, ambos sem comunicação prévia ao município. Os episódios ocorreram exatamente sete anos após a tragédia de Brumadinho, reacendendo preocupações sobre segurança, fiscalização e riscos ambientais associados à atividade minerária.
De acordo com nota divulgada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, o primeiro incidente aconteceu na mina de Fábrica, com o rompimento de uma parede de contenção que liberou cerca de 263 mil metros cúbicos de água acumulada em uma área onde havia rejeitos. Embora a estrutura não seja classificada como barragem nos moldes tradicionais, o volume envolvido e o trajeto percorrido pela água tornam o evento extremamente grave do ponto de vista ambiental e de segurança.
A água percorreu um longo caminho, atingindo comunidades como Água Santa e Ponciano, passando pelo Rio Goiabeiras até alcançar o Rio Maranhão, um dos principais cursos d’água da região.
Menos de um dia depois, já na mina de Viga, foi registrado o extravasamento de aproximadamente 186 sumps de pequeno e médio porte, com novo lançamento de água no Rio Maranhão. Mais uma vez, segundo a Prefeitura, o município não foi informado previamente pela empresa, tomando conhecimento do ocorrido apenas horas depois, por meio de terceiros.
Riscos ambientais e medidas emergenciais
A administração municipal afirma que os impactos potenciais não podem ser minimizados. Entre os riscos apontados estão o carreamento de sedimentos e contaminantes, alteração da qualidade da água, impactos à fauna aquática, assoreamento e prejuízos aos diversos usos dos corpos hídricos atingidos.
Equipes da Defesa Civil e da Secretaria de Meio Ambiente estiveram em campo acompanhando as ocorrências e determinaram medidas emergenciais de controle, monitoramento e mitigação ambiental.
Como resposta imediata, a Prefeitura de Congonhas decidiu suspender provisoriamente os alvarás de funcionamento das atividades associadas às estruturas envolvidas, até que todas as medidas necessárias sejam adotadas e os riscos devidamente controlados.
Os episódios reforçam o debate sobre transparência, comunicação com o poder público e segurança operacional da mineração, especialmente em um estado marcado por grandes tragédias ambientais nos últimos anos.
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