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Canaã, Parauapebas e Marabá contribuem para superávit recorde entre Brasil e China

Minério de ferro é um dos produtos que mais pesam na balança comercial entre os dois países, além da soja, petróleo e da carne. Preocupa, porém, o fato de o Brasil depender tanto dos commodities. Agregar valor aos produtos é caminho para a soberania e sustentabilidade econômica

Canaã, Parauapebas e Marabá contribuem para superávit recorde entre Brasil e China
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O superávit comercial do Brasil com a China atingiu um patamar histórico, ultrapassando a marca de US$ 53 bilhões em apenas nove meses, o melhor resultado em duas décadas. No centro deste fluxo bilionário estão municípios paraenses como Canaã dos Carajás, Parauapebas e Marabá, que se tornaram gigantescos exportadores do minério de ferro de alta qualidade extraído da região de Carajás, a maior província mineral do planeta.

No entanto, economistas e analistas alertam que essa riqueza aparente camufla uma fragilidade profunda: o país depende demais da exportação de commodities, enquanto importa produtos industrializados, em um movimento que esvazia a base produtiva nacional.

A contribuição do Pará para esse superávit é colossal. Canaã dos Carajás, onde operam gigantes como a Vale no complexo de S11D, o maior projeto de minério de ferro do mundo, é um exemplo emblemático. A cidade possui minério de ferro puro, com teor superior a 66%, e é uma das campeãs nacionais de exportação e de arrecadação de royalties. Parauapebas e Marabá seguem a mesma lógica, alimentando com riqueza mineral os cofres brasileiros e a demanda insaciável da indústria siderúrgica chinesa.

A armadilha dos commodities

O minério de ferro de alta qualidade de Carajás é essencial para a produção de aço com maior eficiência e menor impacto ambiental, garantindo sua demanda constante. No entanto, a dependência excessiva desse único produto – e de outras commodities como soja, gado e petróleo – coloca o país numa posição vulnerável.

A economia fica sujeita aos altos e baixos dos preços internacionais, definidos por crises globais e pelo ritmo de crescimento chinês. Enquanto isso, o Brasil perde espaço em setores de tecnologia e indústria de transformação, comprando da China desde celulares e têxteis até máquinas pesadas que poderiam ser fabricadas aqui.

O grande desafio, apontam especialistas, é usar a riqueza gerada pela exportação do minério para investir em outros setores da economia, promovendo a diversificação e a agregação de valor dentro do próprio território.

As riquezas de Canaã, Parauapebas e Marabá são reais e importantes. Elas geram empregos e receita. Mas não se pode confundir a sorte de ter um recurso natural valioso com uma estratégia de desenvolvimento nacional.  É necessário transformar o minério em aço, o aço em indústria, e a indústria em produtos de alto valor.

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Kleysykennyson Carneiro

Publicado por:

Kleysykennyson Carneiro

Editor-chefe do Gazeta Carajás. Com mais de 15 anos de atuação no jornalismo, sua trajetória inclui passagens por televisão, assessoria institucional e direção de grandes eventos.

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