A dependência econômica de Parauapebas em relação à extração mineral segue em pauta na Câmara Municipal. Na sessão ordinária de quinta-feira (19), foi aprovada a Indicação nº 21/2026, de autoria do vereador Zé da Lata (Avante), que solicita ao Poder Executivo a elaboração e implantação imediata do Plano Municipal de Transição Econômica Pós-Mineração.
A iniciativa surge em um momento de alerta fiscal. Segundo a justificativa do parlamentar, a arrecadação municipal já apresenta sinais de vulnerabilidade, com quedas significativas em comparação a anos anteriores. Diante deste cenário, o objetivo é preparar a cidade para a inevitável exaustão das jazidas e para as mudanças globais que podem afetar o setor mineral.
O risco da "dependência mineral"
Na proposição, Zé da Lata relatou que Parauapebas construiu sua base econômica ancorada na atividade mineral, sendo esta a principal fonte de arrecadação municipal, especialmente por meio da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), entretanto, o cenário atual demonstra sinais claros de vulnerabilidade econômica.
“A excessiva dependência da mineração expõe o município a instabilidades fiscais que comprometem o planejamento orçamentário, a continuidade de políticas públicas e a capacidade de investimento em áreas essenciais como saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento social”, enfatizou.
Os pilares do novo modelo econômico
O Plano de Transição proposto por Zé da Lata estabelece diretrizes para que Parauapebas deixe de ser apenas uma "cidade mineradora" e passe a ser um polo de inovação e produção diversificada. As diretrizes são voltadas para:
- Diversificação da matriz econômica do município;
- Redução progressiva da dependência da CFEM;
- Estímulo à indústria de transformação e agregação de valor à produção local;
- Fomento ao agronegócio sustentável e à agroindustrialização;
- Incentivo à economia verde, bioeconomia e energias renováveis;
- Criação de ambiente favorável à inovação, tecnologia e empreendedorismo;
- Qualificação e requalificação profissional da mão de obra local;
- Estudo para instituição de fundo estratégico de estabilização fiscal e desenvolvimento econômico.
No entendimento do vereador, Parauapebas precisa iniciar, de forma estruturada e planejada, a construção de um novo modelo de desenvolvimento, capaz de assegurar prosperidade mesmo diante da inevitável transição do ciclo mineral.
“A implantação desse Plano permitirá que o município adote uma postura preventiva e responsável, alinhada aos princípios da responsabilidade fiscal, da sustentabilidade econômica e do planejamento intergeracional. Não se trata apenas de preparar o futuro distante, mas de enfrentar os desafios já presentes na realidade fiscal do município, garantindo estabilidade, geração de oportunidades e segurança econômica para as próximas gerações”, defendeu.
Após a aprovação em plenário, a Indicação nº 21/2026 foi enviada para o Poder Executivo. Caso acatada, a Prefeitura deverá designar equipes técnicas para iniciar o diagnóstico e a redação do plano estratégico.
Texto: Nayara Cristina / Fotos: Jorge Marques e Paula Gastão (AscomLeg 2026)
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