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Três policiais femininas limparam apartamento onde PM foi encontrada morta em São Paulo

Testemunha afirma que agentes entraram no imóvel horas após a morte da soldado Gisele Alves Santana; socorristas e depoimentos levantam dúvidas sobre a versão apresentada pelo marido

Três policiais femininas limparam apartamento onde PM foi encontrada morta em São Paulo
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Uma testemunha do condomínio onde a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um ferimento na cabeça afirmou à Polícia Civil que três policiais mulheres entraram no apartamento do casal horas após a ocorrência. O imóvel fica no bairro do Brás, na região central de São Paulo.

De acordo com o relato, as agentes chegaram ao prédio às 17h48 do dia 18 de fevereiro, mesma data da morte, e foram até o apartamento acompanhadas por uma funcionária do edifício. As policiais teriam sido identificadas como uma soldado e duas cabos.

Naquela manhã, uma vizinha contou à polícia que acordou às 7h28 após ouvir um único barulho forte vindo do apartamento do casal. O horário é cerca de meia hora antes da primeira ligação feita pelo marido da vítima, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, ao serviço de emergência. Na chamada, registrada às 7h57, ele informou que a esposa havia tirado a própria vida.

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública informou que todas as circunstâncias relacionadas à morte da soldado Gisele Alves Santana estão sendo apuradas por meio de inquéritos instaurados pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar. A pasta destacou ainda que a instituição não compactua com irregularidades e que, caso seja confirmada alguma ilegalidade, as medidas cabíveis serão adotadas.

A Polícia Civil investiga o caso como morte suspeita. Depoimentos de socorristas que atenderam a ocorrência também levantaram questionamentos sobre a versão apresentada pelo marido da vítima.

Em depoimento, o oficial afirmou que estava no banho no momento em que ouviu o disparo. No entanto, os primeiros bombeiros que chegaram ao local relataram que ele estava seco e que não havia marcas de água no chão do apartamento.

Segundo o tenente-coronel, ele entrou no banheiro por volta das 7h para tomar banho e, cerca de um minuto depois, ouviu um barulho que inicialmente pensou ser de uma porta batendo. Ao sair do banheiro, afirmou ter encontrado Gisele caída na sala.

Um sargento do Corpo de Bombeiros com 15 anos de experiência relatou que encontrou o oficial de bermuda, sem camisa e completamente seco ao chegar ao apartamento. Ele também afirmou que não havia sinais de água no chão que indicassem que alguém tivesse saído do banho naquele momento.

O socorrista acrescentou ainda que o chuveiro do banheiro do corredor estava ligado, mas não havia poças de água no chão ou no corredor.

A observação foi reforçada por um tenente da Polícia Militar cuja equipe foi uma das primeiras a chegar ao local. Segundo ele, nem o marido nem a vítima aparentavam ter acabado de tomar banho.

Outro ponto citado nos depoimentos foi o comportamento do tenente-coronel durante o atendimento. Um dos bombeiros relatou que não percebeu sinais de desespero e que o oficial se comunicava de forma tranquila ao telefone. O socorrista também afirmou que ele demonstrava preocupação com a rapidez do atendimento e pedia que a vítima fosse levada ao hospital.

Os profissionais de resgate também observaram que o oficial não apresentava manchas de sangue nas roupas ou no corpo, o que indicaria que ele não teria realizado tentativas de primeiros socorros antes da chegada da equipe.

Entre as ligações feitas por Geraldo na manhã da ocorrência, uma chamou a atenção da família da policial: o contato com o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo.

O magistrado chegou ao prédio às 9h07 e subiu até o apartamento com o tenente-coronel. Registros indicam que às 9h18 ele foi visto novamente no corredor do edifício. Cerca de 11 minutos depois, às 9h29, o oficial apareceu usando outra roupa.

O advogado da família de Gisele questiona a presença do desembargador no local e afirma que o motivo da visita deverá ser esclarecido durante a investigação.

Em nota, a defesa do tenente-coronel Geraldo Neto informou que ele não é investigado, suspeito ou indiciado no processo até o momento. Os advogados afirmam que o oficial tem colaborado com as autoridades desde o início e permanece à disposição para prestar esclarecimentos.

Já a defesa do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan declarou que ele foi chamado ao apartamento como amigo do tenente-coronel e que eventuais esclarecimentos serão apresentados às autoridades responsáveis pela investigação.

O caso, inicialmente registrado como suicídio, segue sob investigação da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar.

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Giovanna Noláscio

Publicado por:

Giovanna Noláscio

Repórter e redatora da Gazeta Carajás, destaca-se pela entrega e conexão com temas urgentes da região. Com experiência em coberturas intensas, como o resgate de garimpeiros em Canaã e a política no Sul e Sudeste do Pará, une sensibilidade e...

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