Tucuruí é o epicentro da política eleitoral paraense neste momento. Enquanto dois fortes exércitos travam uma guerra fria e posicionam suas tropas no místico tabuleiro político tucuruiense, uma espécie de fumaça branca surge das chaminés do poder com um consenso: a próxima prefeita terá uma tarefa hercúlea pela frente.
Por si só, governar Tucuruí é um trabalho de dimensões pantagruélicas. Trata-se de uma das cidades mais complexas do estado. Populosa, antiga, fincada como um polo para a região, com gigantesco potencial econômico e problemas sociais também grandiosos, Tucuruí jamais será uma tarefa simples e a política mostra isso.
Alexandre Siqueira, prefeito cassado na última semana, é o terceiro a não conseguir completar o ciclo gerencial de quatro anos em Tucuruí, em menos de 10 anos. Jones William foi eleito em 2016, cumpriu seis meses de mandato e acabou assassinado.
Seu vice, Arthur Brito assumiu o cargo e foi o responsável por um dos mandatos mais conturbados da história do município. Entre idas e vindas, encerrou o mandato sem conseguir governar direito e, evidentemente, não completou o ciclo de quatro anos como gestor.
Alexandre até completou o seu primeiro mandato entre 2020 e 2024, apesar de um breve período afastado em 23. Mas no início do segundo foi cassado e mais uma vez Tucuruí não tem um prefeito no cargo pelos quatro anos para que foi eleito.
Andreia Siqueira ou Eliane Lima, as duas mais fortes postulantes ao cargo, também não vão conseguir ficar os quatro anos a frente, já que estão sendo eleitas em uma eleição suplementar – serão três anos e alguns meses a mais somente.
A tarefa hercúlea é a de devolver estabilidade política para Tucuruí. Andreia ou Eliane, apesar do mandato-tampão, precisarão de grupos fortes o suficiente para, ao mesmo tempo que governam, equilibrarem a balança política do município, sem ameaças jurídicas, sem desconfianças do povo e sem questionamentos à legitimidade democrática de seus governos.
Olhando para frente com os olhos de hoje, é praticamente impossível fazer qualquer projeção de futuro sem se apegar ao histórico político recente da mais famosa pólis formada às margens do Rio Tocantins. Ainda assim, um pouco de esperança e canja de galinha não faz mal a ninguém.
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