Os promotores de Justiça que integram o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público do Maranhão encaminharam, neste domingo (11), um pedido de exoneração coletiva dos cargos que ocupam no grupo.
A medida é uma reação direta ao parecer favorável à soltura do prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), e de outros investigados presos desde a semana do Natal do ano passado, suspeitos de envolvimento em um esquema de desvio de mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos do município.
O parecer que motivou a crise interna foi assinado pelo procurador-geral de Justiça em exercício, Orfileno Bezerra Neto, e encaminhado à 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), responsável por analisar os pedidos de liberdade apresentados pelas defesas.
De acordo com os promotores do GAECO, a manifestação da Procuradoria-Geral de Justiça contraria o entendimento técnico-jurídico do grupo e desconsidera os elementos probatórios reunidos ao longo da investigação, que resultou na decretação e cumprimento de prisões preventivas de integrantes de uma organização criminosa instalada no município de Turilândia. As prisões ocorreram no âmbito da Operação Tântalo II, deflagrada em 22 de dezembro de 2025.
No documento, os membros do GAECO afirmam que o posicionamento favorável à soltura dos investigados enfraquece a atuação institucional do Ministério Público no combate ao crime organizado, além de causar impactos negativos na credibilidade das investigações complexas e na efetividade das medidas cautelares consideradas essenciais para a repressão qualificada dessas organizações.
“Os subscritores entendem que tal posicionamento, além de destoar das premissas que orientaram o criterioso trabalho investigativo desenvolvido no caso, enfraquece a atuação institucional do Ministério Público no combate ao crime organizado”, destaca trecho do memorando.
O pedido de exoneração coletiva escancara um momento de forte tensão dentro do Ministério Público do Maranhão e levanta questionamentos sobre a condução de casos sensíveis envolvendo corrupção, desvio de recursos públicos e organizações criminosas no estado.
Comentários: