O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta sexta-feira que Brasil e Índia realizem transações comerciais em moedas locais, sem a obrigatoriedade do uso do dólar. A declaração foi feita durante entrevista à emissora India Today, em Nova Délhi.
Segundo Lula, a adoção das moedas nacionais nas trocas comerciais entre os dois países é uma alternativa viável, embora reconheça que a mudança não seja simples nem imediata. “Eu advogo que não é necessário que um acordo comercial entre Brasil e Índia tenha que ser feito em dólares. Podemos fazer em nossas próprias moedas. É difícil, sim, mas podemos tentar”, afirmou.
A discussão sobre reduzir a dependência do dólar em transações internacionais costuma gerar reações nos Estados Unidos. O ex-presidente Donald Trump, por exemplo, já ameaçou impor tarifas de 100% aos países do BRICS caso o bloco avançasse com a proposta de criação de uma moeda única.
Lula, no entanto, ressaltou que não há debate no Brics sobre a criação de uma moeda comum. “Ninguém propôs criar uma moeda do Brics. Não é esta a proposta”, esclareceu. O que existe, segundo ele, são discussões sobre mecanismos de facilitação do comércio, como câmaras de compensação e acordos para liquidação de pagamentos em moedas locais.
O Brasil já mantém operações comerciais em moeda local com a China desde 2023 e busca ampliar esse modelo para outros parceiros, incluindo a Índia. A iniciativa pode avançar dentro do Acordo de Comércio Preferencial (ACP) firmado entre o Mercosul e a Índia, que o governo brasileiro pretende expandir.
Assinado em 2004 e em vigor desde 2009, o ACP é considerado limitado, abrangendo cerca de 450 linhas tarifárias com redução de impostos para cada lado. Atualmente, o comércio bilateral entre Brasil e Índia soma aproximadamente US$ 15 bilhões anuais. A meta do governo brasileiro é, ao menos, dobrar esse valor.
“Precisamos chegar a algo entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões em comércio, considerando o tamanho de nossos países e de nossas economias”, afirmou Lula.
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