A defesa de Izafran de Sousa Barros, mulher suspeita de participar do assassinato do próprio companheiro na zona rural de Marabá, procurou o Gazeta Carajás para falar sobre o caso. Em nota encaminhada, o advogado Dr. Kemuel Ribeiro sustenta que a cliente é inocente e afirma que há fragilidades nas provas apresentadas pela acusação.
Segundo a defesa, Izafran está sendo tratada como autora de um crime quando, na verdade, teria sido vítima de uma situação de extrema violência. O principal argumento apresentado é de que ela agiu sob medo intenso, em um ambiente isolado, na presença do executor do crime e ao lado do filho, uma criança de apenas quatro anos.
De acordo com o posicionamento, a prioridade de Izafran naquele momento era preservar a própria vida e a do filho. A defesa destaca que a legislação brasileira prevê que pessoas submetidas a esse tipo de coação não podem ser responsabilizadas penalmente da mesma forma.
Outro ponto levantado diz respeito a vídeos que, segundo o advogado, reforçam a versão apresentada. As imagens indicariam que Izafran estava dormindo com a criança quando ouviu um barulho, saindo em seguida para verificar o que ocorria. Ao perceber a agressão, ela teria reagido em desespero e tentado impedir o ataque.
A defesa também questiona a base das acusações. Conforme a nota, o principal elemento utilizado seria o depoimento do próprio autor do crime, o que, por si só, não sustentaria a responsabilização de Izafran. Em contrapartida, o advogado afirma que há provas materiais — como laudos periciais e registros em vídeo — que indicariam que ela não participou do homicídio.
Além da discussão sobre o mérito do caso, a defesa levanta preocupações sobre as condições de saúde da investigada. Documentos anexados ao processo apontam que Izafran é pessoa com deficiência, faz uso contínuo de medicação controlada e necessita de acompanhamento médico regular. Ainda assim, segundo o advogado, ela estaria presa sem acesso adequado ao tratamento.
A situação é considerada grave pela defesa, que afirma que a permanência de Izafran na prisão pode provocar agravamento do quadro clínico, além de sofrimento físico e psicológico. O fato de ela ser mãe e responsável por uma criança pequena também é citado como um fator que deveria ser levado em consideração pela Justiça.
Dr. Kemuel defende a adoção de medidas alternativas à prisão e afirma confiar que, com a análise completa das provas, ficará demonstrado que Izafran não teve participação no crime.
Relembre o caso
Izafran de Sousa Barros foi presa pela Polícia Civil do Pará no dia 19 de março, suspeita de participação no homicídio de Cleiton da Conceição Silva, ocorrido em novembro de 2025, na zona rural de Marabá.
De acordo com as investigações, na noite do crime, a vítima e os envolvidos retornavam de uma vaquejada, onde haviam consumido bebida alcoólica. Ao chegarem ao sítio, Cleiton teria se deitado em uma rede, sem condições de se defender.
Nesse momento, Paulo Cesar Mendes de Sousa, apontado como executor, teria desferido diversos golpes de machado e facão contra a vítima, que morreu ainda no local.
A Polícia Civil sustenta que Izafran teve papel decisivo como partícipe moral do crime, ao instigar o autor, afirmando que Cleiton supostamente planejava prejudicá-lo por conta de uma dívida relacionada ao tráfico de drogas.
As investigações também indicam que o relacionamento entre Izafran e a vítima era marcado por episódios de violência doméstica, o que pode ter influenciado a motivação do crime. Após o homicídio, ela teria assumido atividades ligadas ao comércio de drogas anteriormente controlado por Cleiton.
Paulo Cesar já havia sido preso anteriormente no Maranhão e segue sob custódia. Izafran também permanece à disposição da Justiça, enquanto a Polícia Civil continua a investigação para conclusão do inquérito.
Comentários: