O ano de 2026 deve entrar para a história do agronegócio no Pará e no Brasil. Relatos dão conta de que nunca se viu tantos caminhões carregados com soja circulando pelas estradas federais que rasgam o Pará. Não é para menos: o negócio da soja está cada vez mais lucrativo e nunca se plantou tanto. Com o aumento das plantações, cresce o fluxo de escoamento desta produção.
Em fevereiro, o frete da soja subiu muito, cerca de 20%. A supersafra do grão animou carreteiros do Pará, Maranhão, Tocantins e de todo o Brasil que veem a soja que sai do Mato Grosso rumo aos portos de Barcarena e Santarém como uma maneira de faturar alto e rapidamente.
Tão boa oferta acaba atraindo bons e maus carreteiros. Relatos de quem circula nas estradas diariamente dão conta de que muitos motoristas que circulam pelas BR’s 155 e 158, ambas no sul do Pará, de forma extremamente perigosa, em altas velocidades, fazendo manobras arriscadas e colocando a vida de veículos menores em risco. Evidentemente, trata-se de uma minoria, mas uma minoria barulhenta e perigosa.
Denúncias dão conta de que alguns destes profissionais fazem uso de substâncias químicas para realizarem mais viagens em menos tempo. Os famosos rebites, nome popular dado a substâncias ilegais que estimulam o sistema nervoso central, cortam o sono e inibem o apetite de quem as usa. Logo, o profissional consegue dirigir por dias seguidos sem parar e a lei do mercado é: mais viagens representam mais lucro.
Além dos óbvios problemas de saúde, como risco de pressão alta, infartos e derrames, tais substâncias podem causar irritabilidade, agressividade, quadros de psicose, delírios e alucinações. A substância também dilata pupilas, o que causa cegueira temporária quando a luz vem ao encontro do olho – o que aumenta o risco de acidentes.
Não bastasse tudo isso, a buraqueira nas duas rodovias federais é mais um fator de risco para quem trafega na região. Alguns caminhões fazem manobras arriscadíssimas para fugir das “panelas” nas estradas, o que coloca em risco a vida de outras pessoas.
Para completar o cenário problemático, ambas as rodovias possuem pouca, ou quase nenhuma, fiscalização da Polícia Rodoviária Federal. As carretas trafegam como querem e, muitas vezes, com estourando o limite de peso.
A supersafra da soja deve durar por mais dois meses. A estimativa é que o país produza 177 milhões de toneladas do grão, um recorde absoluto. Enquanto houver tanta soja para ser transportada, haverá carretas nas estradas. Do lado dos motoristas, maior prudência e menos ganância. Do lado das autoridades, maior fiscalização nas rodovias é urgente.
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