O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o afastamento do governador do Tocantins, Wanderley Barbosa (Republicanos), por seis meses. A decisão está relacionada a investigações sobre fraudes na compra de cestas básicas durante a pandemia de covid-19.
A ordem de afastamento foi divulgada nesta quarta-feira (3), no mesmo dia em que a Polícia Federal (PF) deu início à segunda fase da Operação Fames-19, que apura desvios de recursos públicos destinados ao combate à pandemia. A primeira fase da operação ocorreu em agosto de 2024, quando foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao governador e a outros investigados.
Wanderley Barbosa, que assumiu o Executivo estadual em outubro de 2021 após o afastamento do então governador Mauro Carlesse — que posteriormente renunciou para responder a acusações de corrupção —, defendeu-se em nota. Ele afirmou que, no período dos fatos investigados (2020-2021), era vice-governador e “não era ordenador de nenhuma despesa relacionada ao programa de cestas básicas”. Classificou a decisão do STJ como “precipitada” e anunciou que acionará os meios jurídicos para reassumir o cargo e “comprovar a legalidade dos meus atos”.
De acordo com a PF, as investigações apontam indícios de que os envolvidos se aproveitaram do estado de emergência para fraudar contratos de fornecimento de cestas básicas e outros itens. Os prejuízos aos cofres públicos são estimados em mais de R$ 73 milhões. Os valores desviados teriam sido ocultados com a construção de empreendimentos de luxo, compra de gado e pagamento de despesas pessoais.
Mais de 200 policiais federais cumpriram 51 mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira no Tocantins, no Distrito Federal e em outras cidades. O governo do Tocantins ainda não se pronunciou sobre o afastamento do governador.
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