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Não há água para todos em Canaã – uma crise hídrica na Terra Prometida

Terra Prometida tem lençol freático onde a água é encontrada em falhas e possui recarga lenta. Assim, poços secam mais rápido no verão. Cidade cresce exponencialmente e falta água para todos – a culpa nem é da prefeita

Não há água para todos em Canaã – uma crise hídrica na Terra Prometida
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Canaã dos Carajás é uma terra abençoada por Deus e pela geologia em muitos aspectos. Colossal na produção de minério, a Terra Prometida é economicamente independente e foi, proporcionalmente, a cidade que mais cresceu no Brasil na última década.

No entanto, Canaã está diante de um dos maiores desafios de sua história, a falta de um bem essencial à vida: água potável. E isso não é uma questão política, sequer ideológica – trata-se de uma questão humanitária, sensível e extremamente preocupante: não há água para todos e uma crise hídrica pode se tornar um verdadeiro entrave para o futuro da Terra Prometida.

Não há rios de grande porte em Canaã. A principal fonte de abastecimento do município é o Parque Veredas (foto de capa) – um resquício de Amazônia que ainda existe na selva de concreto chamada Canaã.

Apesar da imponência da gigantesca represa canaense, o Veredas já não é o bastante para abastecer toda Canaã dos Carajás, que tem população estimada em 77 mil habitantes, segundo dados do Censo 2022 feito pelo IBGE.

Canaã possui hoje 28 mil residências, 3700 prédios comerciais e mais de 2 mil construções em andamento. Em média, uma residência com quatro pessoas consome de 400 a 600 litros por dia. São necessários, então, cerca de 20 milhões de litros de água por dia para o consumo em Canaã – o que ultrapassa a capacidade da represa existente no Veredas.

Poços artesianos

Todos nós crescemos aprendendo que a melhor água que existe é a que está no lençol freático, que ela é abundante, praticamente inesgotável.

O Sistema Autônomo de Água e Esgoto de Canaã (SAAE) investiu na perfuração de poços artesianos nos últimos anos. Foram dezenas deles e, ainda assim, falta água em Canaã.

Isso tem explicação. Poços artesianos não são a solução para a falta de água em Canaã simplesmente porque o lençol freático da Terra Prometida não é dos melhores. Neste lençol, a água é encontrada em falhas e sua recarga natural é muito lenta.

Então, quando se retira muita água, como é o caso do que vem acontecendo em Canaã, acima da capacidade de reposição, é natural que poços sequem, como é possível observar em vários bairros.

A preocupação aumenta

Canaã não é banhada por grandes rios e seu centro urbano fica bastante distante das exclusivas cachoeiras do Parque Nacional dos Campos Ferruginosos, assim como também está distante do Rio Parauapebas.

Durante o verão amazônico, as chuvas rareiam na região e os problemas com o abastecimento de água só pioram. Em 2024, o inverno não foi tão rigoroso, terminou mais cedo e isso é um alerta para a população de Canaã.

As chuvas devem aparecer por volta do mês de outubro. Até lá, a previsão é de seca e a tendência é que a represa do Veredas e o lençol freático do município sejam ainda mais castigados, já que a demanda cresce com a sequidão.

Mineração é culpada da crise hídrica?

Em muitos lugares, a atividade minerária pode prejudicar o abastecimento de água potável. No entanto, este não parece ser o caso de Canaã. As duas minas ficam longe do centro urbano e a mineração feita nelas não prejudica o lençol que corta Canaã.

Crise para o futuro

Com o aumento do fluxo migratório para a Terra Prometida, Canaã deve passar dos 100 mil habitantes nos próximos cinco anos – ou menos.

Esse número tende a crescer na próxima década, o que significa mais residências, mais comércio, mais construções e mais milhões de litros de água requeridos todos os dias.

Há uma possibilidade real de Canaã sucumbir à necessidade de água, um bem básico para a vida.

Sem água, o desenvolvimento está ameaçado, já que é impossível a uma população trabalhar e viver em um local sem água. Vale destacar ainda que o custo para ter acesso a água potável pode subir.

Soluções a curto e longo prazo

O primeiro passo talvez seja a consciência coletiva da população. Afinal, se houver economia, há mais chances de preservar o lençol freático do município e a represa que abastece Canaã.

Depois, autoridades públicas precisam encontrar uma forma de captar água dos Campos Ferruginosos ou mesmo do Rio Parauapebas.

Município rico como é, Canaã tem condições de elaborar e financiar um projeto capaz de captar água e garantir a sobrevivência de seus moradores e o futuro da Terra Prometida. Resta saber quanto tempo leva até as soluções para este problema.

O mais triste é o que sinaliza a já latente falta do bem mais essencial à vida humana: não há água para todos e este é só o começo de uma distopia que pode ser evitada.

 

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Kleysykennyson Carneiro

Publicado por:

Kleysykennyson Carneiro

Editor-chefe do Gazeta Carajás. Com mais de 15 anos de atuação no jornalismo, sua trajetória inclui passagens por televisão, assessoria institucional e direção de grandes eventos.

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