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MPF exige suspensão de dragagem no Rio Amazonas e pede anulação de licença ambiental, em Juruti

Órgão estabeleceu prazo de 24 horas para que empresa mineradora, responsável pelos serviços, interrompa as atividades em Juruti e para que a Semas revogue a autorização concedida

MPF exige suspensão de dragagem no Rio Amazonas e pede anulação de licença ambiental, em Juruti
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O Ministério Público Federal (MPF) notificou, nesta segunda-feira (13), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas) e uma empresa mineradora para que sejam suspensas, imediatamente, as atividades de dragagem no Rio Amazonas, na região de Juruti. O órgão estabeleceu prazo de 24 horas para que a licença ambiental seja anulada e as operações sejam interrompidas.

De acordo com o MPF, a medida foi adotada após a identificação de irregularidades no processo de licenciamento ambiental e de possíveis impactos socioambientais às comunidades tradicionais da região. Segundo o órgão, a dragagem vinha sendo autorizada por meio de procedimentos simplificados, sem a exigência de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (Rima), documentos considerados necessários para empreendimentos desse porte.

As investigações apontaram que uma autorização emitida para 2025 permitiu a retirada de até 7 milhões de metros cúbicos de sedimentos do leito do Rio Amazonas. Conforme o Ministério Público Federal, a atividade teria sido motivada por razões logísticas e comerciais, e não por necessidade de desobstrução do canal de navegação.

O MPF também questionou o uso da técnica conhecida como overflow, que, segundo o órgão, aumenta a turbidez da água e favorece a dispersão de sedimentos e contaminantes, com potenciais impactos durante o período reprodutivo de quelônios e da piracema.

Entre os efeitos relatados por comunidades da região estão o assoreamento de lagos e igarapés, alterações na qualidade da água, presença de parasitas em peixes e prejuízos à agricultura de várzea, além da redução da renda de famílias que dependem da pesca artesanal.

Segundo o MPF, uma recomendação para anulação das licenças já havia sido expedida em abril deste ano, mas a autorização permaneceu válida. O órgão afirmou ainda que uma nova etapa da dragagem foi iniciada no último dia 10 de julho, apesar de pedidos de suspensão e de medidas adotadas pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA).

Na notificação, o Ministério Público Federal alertou que o descumprimento das determinações poderá resultar na responsabilização civil, administrativa e criminal dos envolvidos. Além da suspensão das atividades, o órgão exigiu que futuros licenciamentos contem com estudos ambientais compatíveis com a dimensão da intervenção, incluindo Estudo de Impacto Climático (EIC). Caso as determinações não sejam cumpridas, o MPF informou que adotará as medidas judiciais cabíveis.

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Sergio Manoel

Publicado por:

Sergio Manoel

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