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O agronegócio paraense pode enfrentar um novo desafio nos próximos meses. A escassez mundial de enxofre, provocada pela crise logística no Oriente Médio e agravada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, já afeta o mercado internacional e ameaça elevar os custos da produção agrícola no Brasil.
O problema começou após o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo e responsável pelo transporte de cerca de metade do enxofre comercializado por via marítima. Com o bloqueio da passagem, a oferta do produto caiu, enquanto a procura aumentou. Como consequência, o preço do enxofre quase triplicou desde o início da crise e, mesmo após uma pequena redução, continua cerca de duas vezes acima do valor registrado antes do conflito.
O impacto é ainda maior no Brasil, que depende da importação da maior parte do enxofre utilizado pela indústria. Para agravar o cenário, grandes produtores como China e Rússia passaram a restringir as exportações para preservar seus próprios estoques, reduzindo ainda mais a oferta no mercado internacional.
No Pará, onde o agronegócio cresce ano após ano, a falta do insumo pode pesar diretamente no bolso dos produtores. O enxofre é essencial para a fabricação de fertilizantes fosfatados, indispensáveis para culturas como soja, milho e outras lavouras. Com menos matéria-prima disponível, indústrias de fertilizantes já reduziram ou interromperam parte da produção, o que tende a encarecer os adubos e aumentar os custos das próximas safras.
Além da agricultura, a crise também pode atingir o saneamento básico. Isso porque o flúor utilizado no tratamento da água é um subproduto da fabricação de fertilizantes. Com a redução da produção, empresas de abastecimento já relatam dificuldades para conseguir o insumo, colocando em risco uma medida importante para a prevenção de cáries na população.
Especialistas alertam que, enquanto não houver uma normalização do comércio internacional, o Brasil continuará vulnerável às oscilações do mercado externo. Para o Pará, um dos estados que mais expandem sua produção agropecuária, a escassez de enxofre representa um risco para a competitividade do setor e pode refletir no preço dos alimentos e em toda a cadeia do agronegócio.
Publicado por:
Kleysykennyson Carneiro
Editor-chefe do Gazeta Carajás. Com mais de 15 anos de atuação no jornalismo, sua trajetória inclui passagens por televisão, assessoria institucional e direção de grandes eventos.
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