Informações não confirmadas pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Itupiranga dão conta que José Milesi, ex-prefeito do município, está muito perto de se tornar secretário de Habitação. A informação foi divulgada em primeira mão pelo jornalista João Salame na sua coluna Coisas de Política e repercutiu em todo o sul e sudeste do Pará: para muitos, um choque, para outros tantos, uma novela que se repete a cada quatro anos em Itupiranga.
Às vésperas da Eleição de 2020, José Milesi era prefeito do município, mas não candidato à reeleição. Sua esposa, Joana Milesi, então primeira-dama, estava no palanque da oposição pedindo votos a Eider Gomes. Milesi, cacique do MDB, estava ao lado de Benjamin Tasca.
Joana contava aos quatro cantos que o marido havia abdicado do direito de concorrer à reeleição após um “sequestro” que sofrera horas antes de registrar a candidatura. Sem dar nome aos culpados, a primeira-dama contou que o marido foi levado até a casa de um vereador e lá foi pressionado a renunciar. Horas depois, já liberto, Milesi teria levado a notícia de que não concorreria em 2020.
Passado o pleito, Milesi não compôs o governo de Tasca e se colocou na oposição. Nos últimos anos, o ex-prefeito chegou a apoiar Eider Gomes na construção de um novo projeto. No entanto, tudo mudou no segundo semestre de 2023, quando Benjamin Tasca foi para o MDB a convite do governador e um verdadeiro nó se atou na política do município. Milesi chegou a anunciar que deixaria o MDB, o que não aconteceu.
Agora, prestes a assumir uma pasta, Milesi parece buscar redenção em Itupiranga. Com a imagem cansada e quase no ostracismo político, o ex-prefeito não teve administração exitosa em seu último mandato. No entanto, Benjamin aposta no eleitorado cativo de Milesi e em suas habilidade de articulador para lhe garantir fôlego político nas Eleições 2024.
Entre as palavras ditas com ódio por Joana Milesi em 2020, uma frase chamou a atenção: “esse caboco desse 55 [à época Benjamin estava no PSD] nunca conseguiu chegar ao poder em Itupiranga se não fosse com a ajuda do Milesi. O Milesi sempre teve que ajudar ele, por bem ou por mal.”
Assim, entre tapas e beijos, Benjamin Tasca e José Milesi escrevem mais um capítulo de uma tumultuada história política. Já são quase 40 anos de idas, vindas, ataques e afagos – o que um fala do outro, afinal, não se deve escrever.
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