Como revelou o jornalista Lauro Jardim em sua coluna no Globo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem conduzido conversas fora de agenda sobre os detalhes da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, prevista para a próxima semana. Em uma dessas reuniões, na noite de segunda-feira, o comandante do Exército, general Tomás Paiva, sugeriu que, se a decisão for pela prisão em regime fechado, Bolsonaro cumpra pena em instalações militares, e não no Presídio da Papuda.
A informação coincide com uma forte declaração política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na terça-feira (18), durante inauguração da ponte sobre o Rio Araguaia, entre o Pará e o Tocantins. Na ocasião, Lula afirmou que "as tranqueiras que governaram o país não voltarão ao poder".
O tom da fala de Lula é visto no Planalto como um aceno à iminente prisão de seu antecessor, que seria a "tranqueira" citada. Os detalhes sobre a prisão foram tratados em um encontro que incluiu também o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro. Na conversa, o general Paiva teria dito que enviar Bolsonaro para a Papuda poderia ser "excessivo para um ex-presidente". Em seguida, ele apresentou ao ministro do STF algumas possibilidades de custódia em instalações militares pelo país, caso a pena deva ser cumprida em regime fechado.
Diante do oferecimento, Alexandre de Moraes não deu uma resposta definitiva, nem aceitando nem recusando a proposta. A sugestão das Forças Armadas é interpretada em círculos jurídicos e políticos como uma tentativa de abrandar os desdobramentos da prisão de uma figura polarizadora, evitando que Bolsonaro seja encaminhado a um presídio comum.
A decisão final sobre o local do encarceramento, no entanto, ainda está nas mãos do relator dos processos contra o ex-presidente. A prisão de Bolsonaro, decorrente de condenações já definidas pelo ministro, é tida como certa para os próximos dias.
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