A assinatura da ordem de serviço para as obras de derrocamento do Pedral do Lourenço deve ocorrer apenas em março deste ano, mas o fluxo de balsas com soja já aumentou, e muito, na hidrovia Araguaia Tocantins. Reportagem do jornal Folha de São Paulo revelou que, em 2025, 36 barcaças transportando 75,6 mil toneladas de soja, passaram pela hidrovia e fizeram a eclusagem na Usina Hidrelétrica de Tucuruí.
Para efeito de comparação, em 2023, apenas três embarcações sem carga fizeram o percurso e a eclusagem.
O aumento do fluxo deve-se à plena operacionalização das eclusas da hidrelétrica, que, desde dezembro de 2024, permite a transposição do desnível da barragem, mas também à proximidade da autorização para o início das obras. O DNIT confirmou que o tráfego segue intenso no início de 2026.
A obra no Pedral do Lourenço, um trecho de aproximadamente 35 km em Itupiranga, representa a etapa final para a consolidação da hidrovia. Atualmente, as rochas que afloram no período de seca limitam a navegabilidade e obrigam a uma gestão especial da vazão de água da usina de Tucuruí para a passagem segura das embarcações. O derrocamento, criando um canal navegável contínuo, visa eliminar esta barreira física e essa dependência operacional.
Com a conclusão da obra, a previsão é de uma transformação radical na capacidade de escoamento da produção do Centro-Norte do país. Projeções indicam que, até 2031, o trecho entre Marabá e o Porto de Vila do Conde, em Barcarena, terá capacidade para movimentar 32,5 milhões de toneladas de carga por ano. A hidrovia será uma rota estratégica e competitiva para o transporte de grãos (principalmente soja), minério de ferro, carvão mineral e outros insumos, integrando-se aos modais ferroviário e rodoviário.
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