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Alta densidade de onças na Amazônia esconde queda de fêmeas e preocupa pesquisadores

Estudo de 17 anos revela mudança na estrutura da população de onças-pintadas em área protegida do Amazonas e alerta para riscos à reprodução da espécie

Alta densidade de onças na Amazônia esconde queda de fêmeas e preocupa pesquisadores
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Embora as florestas inundáveis da Amazônia estejam entre os principais refúgios da onça-pintada no mundo, um estudo inédito revelou, nesta segunda-feira (13), que a aparente estabilidade da população pode esconder mudanças preocupantes. Pesquisadores do Instituto Mamirauá e da organização Panthera identificaram uma queda expressiva no número de fêmeas ao longo de quase duas décadas de monitoramento na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, entre o Amazonas e o Pará.

A pesquisa, publicada na revista científica Journal of Applied Ecology, analisou 17 anos de dados obtidos por meio de armadilhas fotográficas na unidade de conservação, que possui mais de um milhão de hectares. O levantamento mostrou que, entre 2005 e 2022, a densidade de fêmeas caiu 77%, enquanto a de machos aumentou. Apesar disso, o número total de onças permaneceu relativamente estável.

Segundo os pesquisadores, essa aparente estabilidade pode mascarar alterações importantes na estrutura da população. Como as fêmeas são responsáveis pela reprodução e pela renovação da espécie, a redução delas representa um sinal de alerta para a conservação da onça-pintada na região.

De acordo com o diretor técnico-científico do Instituto Mamirauá e coautor do estudo, Emiliano Esterci Ramalho, apenas monitoramentos realizados por longos períodos permitem identificar mudanças que não aparecem quando se observa apenas o tamanho da população.

Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é que a caça de machos esteja alterando a dinâmica da espécie. Com a retirada desses animais, novos machos vindos de áreas vizinhas passam a ocupar o território. Esse processo favorece episódios de infanticídio — comportamento em que machos matam filhotes para que as fêmeas retornem ao período reprodutivo — reduzindo a sobrevivência dos filhotes e, consequentemente, o recrutamento de novas fêmeas para a população.

O estudo também produziu, pela primeira vez na Amazônia, estimativas sobre sobrevivência e recrutamento de onças-pintadas. Os resultados indicam alta sobrevivência dos adultos, mas baixa entrada de novas fêmeas na população, cenário que pode comprometer a capacidade reprodutiva da espécie a longo prazo.

Além da caça, os pesquisadores apontam que doenças infecciosas também podem estar contribuindo para a redução das fêmeas. Entre as enfermidades já registradas na população de onças da região estão o vírus do Nilo Ocidental, o vírus da Encefalite de Saint Louis, o vírus da cinomose e o vírus da leucemia felina (FeLV), que passarão a ser investigados com maior profundidade.

Os cientistas destacam ainda que as mudanças climáticas, com secas e cheias cada vez mais intensas na Amazônia, podem aumentar a pressão sobre as populações de onças-pintadas.

O monitoramento realizado pelo Instituto Mamirauá começou em 2005 e é considerado o mais longo já desenvolvido com onças-pintadas em qualquer lugar do mundo. A série histórica tem servido de base para pesquisas sobre ecologia, conservação e dinâmica populacional da espécie, considerada um dos principais predadores das florestas amazônicas.

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Sergio Manoel

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Sergio Manoel

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