No coração do Pará, o Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém, sedia hoje (26) e amanhã (27) o 1º Congresso do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) sobre Justiça Climática e Sustentabilidade, evento organizado pela Associação do Ministério Público do Estado do Pará (Ampep). A iniciativa abre espaço para um debate urgente sobre os impactos ambientais na região amazônica e os caminhos para um futuro mais justo. Canaã dos Carajás é uma das protagonistas desse diálogo.
A prefeita Josemira Gadelha foi convidada pelo Ministério Público para participar da talk conferência “O Futuro das Grandes Cidades da Amazônia Pós-COP30”, ao lado dos prefeitos Renato Ogawa (Barcarena) e José Alberto Tavares da Trindade (Santa Izabel do Pará). A mediação ficou por conta da presidente da Ampep, Ana Maria Magalhães, do procurador-geral de Justiça Alexandre Tourinho e da promotora Léa Cristina Mousinho.
Desenvolvimento com responsabilidade
Durante sua fala, Josemira reforçou que riqueza mineral não garante, por si só, qualidade de vida, e que a gestão pública tem a responsabilidade de transformar arrecadação em políticas públicas eficazes. “A alta arrecadação exige mais responsabilidade. É dinheiro público, e esse dinheiro precisa ser devolvido à população em forma de políticas públicas efetivas”, destacou.
A prefeita apresentou um panorama das ações sustentáveis já implementadas no município: mais de 100 km de ciclovias e calçadas acessíveis, iluminação em LED na zona urbana e rural, arborização, recuperação de nascentes, uso de água de reúso para irrigação e limpeza urbana, além da implantação do transporte coletivo gratuito — medida que reforça o compromisso com a mobilidade urbana e a redução de emissões de carbono.
Voz para o campo
Um dos momentos mais marcantes da participação de Josemira foi a defesa enfática da inclusão da zona rural nos debates ambientais globais. “Nós conhecemos que Canaã dos Carajás tem suas origens na produção rural. Pensando nisso, destinamos muitas ações voltadas para a zona rural. Levamos iluminação elétrica, instalamos a primeira estação de tratamento de esgoto voltada à zona rural, criamos um programa de recuperação de nascentes”, afirmou.
Ela reforçou que as decisões da COP30 precisam incluir o homem do campo: “O produtor rural, o plantador de cacau, o produtor de açaí, o agricultor familiar — todos precisam ter direito à voz. Essas pessoas contribuem diretamente para a preservação ambiental. E nós vamos investir cada vez mais nessa produção no nosso município.”
Josemira também apontou a necessidade de levar tecnologia e assistência técnica para o campo. “Hoje não se faz mais produção rural como antigamente. Precisamos de incentivos tecnológicos, de engenheiros, de técnicos que orientem nossos produtores. A zona rural precisa de apoio social e econômico para continuar avançando.”
Ela lembrou que Canaã começou como um assentamento agrícola, o C12, e que essas raízes não podem ser ignoradas. “Essas pessoas abriram caminhos para que hoje possamos oferecer educação superior, creches, mestrado e doutorado. Elas têm papel fundamental na história de Canaã — e devem estar no centro da discussão climática.”
Rumo à COP30: Amazônia no centro do mundo
A COP30, que acontecerá em Belém em 2025, foi um dos temas centrais do congresso. A sigla se refere à Conference of the Parties, conferência anual da ONU sobre mudanças climáticas. Será a primeira vez que a Amazônia sediará o evento, o que aumenta a responsabilidade dos gestores públicos da região em apresentar soluções locais com impacto global.
Eventos como o congresso promovido pelo MPPA funcionam como um preparo estratégico para esse protagonismo, ajudando a colocar a Amazônia no centro das decisões mundiais sobre clima.
Justiça climática e o recorte social
Ao encerrar sua participação, Josemira Gadelha trouxe ainda um alerta social. “As mudanças climáticas afetam, especialmente, as mulheres e meninas, as pessoas mais vulneráveis. É preciso trabalhar o social, combater a violência e o abuso. Essa discussão é de todos nós, gestores, cidadãos, sociedade civil.”
A prefeita finalizou agradecendo o convite: “É uma honra representar Canaã dos Carajás nesse espaço. Agradeço à doutora Ana Maria, ao doutor Alexandre Tourinho, à promotora Léa, aos colegas prefeitos. Somos líderes e temos a responsabilidade de dar o exemplo. Mas também acreditamos na população. É com ela que faremos as mudanças acontecerem.”
Com iniciativas concretas e uma visão de longo prazo, Canaã dos Carajás se firma como referência de gestão pública voltada ao desenvolvimento sustentável, em sintonia com o meio ambiente, com as pessoas e com o futuro da Amazônia.
Comentários: