A sequência de problemas estruturais em pontes estratégicas do sudeste do Pará, sudoeste do Maranhão e norte do Tocantins reacendeu um alerta que vai além da engenharia: a confiança da população nas rotas que sustentam a mobilidade e a economia da região. Em uma semana marcada pela repercussão de novas imagens do massacre entre Estreito e Aguiarnópolis, medidas emergenciais e decisões drásticas envolvendo outras estruturas causam ainda mais medo e insegurança.
Na BR-230, uma das principais artérias de escoamento da produção e deslocamento de pessoas, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) impôs restrições ao tráfego de veículos pesados na ponte sobre o Rio Araguaia, entre Araguatins (TO) e Palestina do Pará. A medida, segundo o órgão, busca preservar a estrutura, que já apresenta sinais de desgaste após décadas de uso.
Com as novas regras, caminhões com mais de seis eixos ou que ultrapassem o limite de 53 toneladas estão proibidos de cruzar a ponte. A alternativa para esses motoristas passa por rotas mais longas e, em alguns casos, menos eficientes, como desvios pela BR-153, travessias por balsa ou trajetos que incluem municípios no Maranhão. O impacto é direto: aumento de custos logísticos, atrasos e maior pressão sobre outras vias.
Enquanto isso, em Marabá, também na BR-230, a situação é ainda mais grave e definitiva. Após meses de estudos técnicos, o DNIT decidiu pela implosão das duas pontes sobre o Rio Itacaiúnas — estruturas fundamentais para o funcionamento da Transamazônica e para a ligação entre bairros e regiões inteiras da cidade.
A ponte mais recente, com cerca de 16 anos, foi considerada irrecuperável. Já a mais antiga, com mais de quatro décadas de uso, apresenta desgaste acentuado após anos operando acima da capacidade. O plano prevê a demolição inicial da estrutura mais nova, enquanto a antiga passará a operar em mão dupla, concentrando todo o fluxo de veículos até a construção de uma nova ponte.
A medida, embora necessária do ponto de vista técnico, levanta preocupações imediatas. A sobrecarga em uma estrutura já desgastada, aliada à falta de infraestrutura adequada nas vias alternativas, cria um cenário de risco e possível colapso no trânsito urbano e regional. A Ponte Ana Miranda, que deve absorver parte do fluxo, não possui capacidade para suportar o aumento significativo de veículos, especialmente de carga pesada.
Sem cronograma definido e com licitações previstas apenas para o fim do ano, a população se vê diante de um cenário de incerteza. O custo estimado de cada nova ponte gira em torno de R$ 120 milhões, mas o preço social da demora pode ser ainda maior.
Entre restrições e implosões, o que se desenha é um retrato preocupante da infraestrutura viária na região. Pontes que deveriam garantir integração e desenvolvimento agora se tornam símbolos de desgaste, negligência acumulada e decisões tardias.
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