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Grupo Fictor, compradora da Master, usava mesmo esquema do CV para fraudes, diz PF

Operação Fallax prendeu ao menos 15 pessoas na quarta (25), incluindo gestores da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil

Grupo Fictor, compradora da Master, usava mesmo esquema do CV para fraudes, diz PF
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Uma investigação da Polícia Federal apontou que o Grupo Fictor e células da facção criminosa Comando Vermelho (CV) utilizavam o mesmo esquema de lavagem de dinheiro, baseado em empresas de fachada, movimentações simuladas e cooptação de funcionários de bancos. A operação, batizada de Fallax, foi deflagrada na quarta-feira (25) em três estados e investiga fraudes que podem ultrapassar R$ 500 milhões. O CEO da Fictor, Rafael de Gois, foi um dos alvos de busca e apreensão.

Em 17 de novembro do ano passado, a Fictor anunciou a compra do Banco Master, envolvendo investidores árabes e um aporte de R$ 3 bilhões, poucas horas antes de o Banco Central ter anunciado a liquidação extrajudicial do banco de Daniel Vorcaro.

Após a liquidação do banco, a Fictor enfrentou uma crise reputacional, resultando em resgates de cerca de R$ 2 bilhões por investidores, o que levou ao pedido de recuperação judicial das empresas Fictor Holding e Fictor Invest, pertencentes ao grupo.

Segundo a PF, as investigações começaram em 2024, quando foram identificados indícios de um sistema profissional de fraude bancária e lavagem de capitais desenvolvido por uma organização criminosa com ramificações no setor financeiro e conexão com o crime organizado do Rio de Janeiro.

A PF aponta que a Fictor era parte central da engrenagem, funcionando como núcleo financeiro do esquema. O grupo injetava, diz a investigação, recursos que alimentavam as simulações de fluxo de caixa, ajudava a montar empresas de fachada e operava mecanismos usados para enganar instituições financeiras.

Segundo a PF, células do Comando Vermelho usavam a mesma estrutura para lavar dinheiro do tráfico. Elas se aproveitavam das empresas fictícias e da contabilidade fabricada para justificar a entrada de recursos ilícitos no sistema bancário.

Depois de circular pelas firmas de fachada, o dinheiro era convertido em bens de luxo e criptoativos, o que dificultava o rastreamento. Para a PF, o compartilhamento do esquema revela um “ecossistema criminoso” usado por empresários, operadores financeiros e facções.

A Operação Fallax prendeu ao menos 15 pessoas na quarta (25). Dentre os presos, há dois gerentes da Caixa Econômica Federal e uma ex-gerente do Banco do Brasil envolvidos no esquema.

O grupo investigado montou um sistema profissional de fraude bancária e lavagem de dinheiro baseado principalmente na criação em massa de empresas de fachada. Essas pessoas jurídicas eram abertas com características padronizadas — sócio único, capital social simulado e objeto social genérico — e chegavam a cumprir obrigações fiscais nos primeiros meses para aparentar regularidade.

Para viabilizar essas aberturas, integrantes da organização cooptavam pessoas dispostas a ceder seus dados pessoais, muitas vezes sem saber a real finalidade da operação. Depois de criadas, essas empresas passavam a receber uma contabilidade totalmente fraudada. Documentos como DRE, ECF e declarações fiscais eram manipulados para simular um faturamento alto, o que possibilitava às empresas parecerem aptas a obter crédito bancário.

Ao mesmo tempo, operadores do esquema iniciavam uma intensa movimentação financeira artificial, composta por pagamentos cruzados de boletos, transferências internas e supostas entradas de capital sem origem real.

Essa simulação gerava um histórico bancário inflado, que convencia instituições financeiras a liberar limites maiores de crédito e permitia a circulação de valores ilícitos sem levantar suspeitas.

Fonte/Créditos: PF

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Sergio Manoel

Publicado por:

Sergio Manoel

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