A Polícia Federal deflagrou uma operação de grande alcance que atingiu diretamente o alto escalão do Judiciário maranhense, com cumprimento de mandados de busca e apreensão no gabinete do desembargador Luiz de França Belchior, na sede do Tribunal de Justiça do Maranhão, em São Luís.

A ação faz parte da Operação Inautitus, que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo magistrados, assessores, advogados e empresários. Ao todo, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, além de diversas medidas cautelares autorizadas pela Justiça.

De acordo com as investigações, o grupo é suspeito de atuar em um esquema estruturado de venda de decisões judiciais, com direcionamento de processos, aceleração seletiva de tramitações e manipulação na distribuição de ações. O objetivo seria favorecer partes específicas em disputas judiciais, especialmente em litígios agrários de alto valor econômico, mediante pagamento de vantagens indevidas.

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As apurações também identificaram movimentações financeiras consideradas atípicas, com indícios de lavagem de dinheiro por meio de triangulações e mecanismos de ocultação da origem ilícita dos recursos.

Além das buscas, foi determinada a prisão preventiva de um apontado como principal operador do esquema. Também foram impostas medidas como o afastamento de um desembargador, três assessores e uma servidora do tribunal, proibição de acesso às dependências do TJMA e impedimento de contato entre os investigados.

Outras determinações incluem o uso de monitoramento eletrônico por seis investigados e o bloqueio de bens que pode chegar a R$ 50 milhões, valor fixado de forma solidária entre os principais envolvidos.

A operação se estende para além da capital maranhense, com ações realizadas em diversos municípios do estado, além de cidades em outros estados, como Ceará, São Paulo e Paraíba. Entre os investigados estão membros do Judiciário, advogados, um empresário e um ex-deputado estadual.

Segundo a Polícia Federal, os crimes investigados incluem corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, cujas penas somadas podem chegar a até 42 anos de reclusão.

FONTE/CRÉDITOS: Imirante