A produção de minério de ferro em Serra Norte, em Parauapebas, e Serra Leste, em Curionópolis, caiu de 147 milhões de toneladas em 2017 para 84 milhões em 2025. O recuo de aproximadamente 43% expõe as dificuldades dessas operações e coloca uma decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro das expectativas da Vale. A mineradora aguarda a assinatura de um decreto sobre cavernas que considera importante para destravar áreas de lavra e criar condições para recuperar a produção.

Enquanto essas minas perderam volume, o S11D, em Canaã dos Carajás, ganhou espaço e sustentou o desempenho regional. No mesmo período, sua produção passou de 22 milhões para 86 milhões de toneladas, compensando a retração e mantendo estável o volume da Vale no Norte. Os números mostram como Canaã se tornou decisiva para a companhia, enquanto as operações de Parauapebas e Curionópolis enfrentam limitações para avançar.

A queda nessas duas frentes continuou em 2026. Entre janeiro e setembro, Serra Norte e Serra Leste produziram 48,5 milhões de toneladas, 21% abaixo do mesmo período do ano passado. Entre os entraves estão restrições à mineração perto de cavernas e no fundo das cavas. O decreto aguardado pela Vale prevê mudanças nos critérios de classificação das cavidades e nos procedimentos de análise ambiental, com expectativa de permitir melhor aproveitamento das reservas e redução de custos.

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A discussão aproxima o futuro dessas operações das decisões políticas em Brasília.  O texto está pronto desde julho e depende da assinatura de Lula. Após a reeleição do presidente, o diretor financeiro da Vale, Marcelo Bacci, avaliou que a continuidade do governo evita uma interrupção nas negociações e manifestou expectativa de conclusão rápida. O executivo afirmou ainda que a proposta foi construída com a participação da área ambiental. Para os municípios mineradores de Carajás, o desfecho tem interesse direto pela relação da atividade com empregos, fornecedores e arrecadação.

A assinatura, porém, não representará uma retomada imediata. Segundo Bacci, mesmo que o decreto seja publicado agora, não haverá efeito na produção em 2027. A recuperação dependerá das etapas seguintes de planejamento e preparação das operações. Até lá, o S11D segue sustentando o volume regional, enquanto a Vale espera que a decisão de Lula abra caminho para recuperar capacidade de produção nas áreas hoje limitadas pelas restrições.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações da Revista Exame