Pessoas privadas de liberdade no Pará estão trabalhando na produção de blocos de concreto utilizados em obras de infraestrutura e, ao mesmo tempo, adquirindo experiência profissional para a vida após o cumprimento da pena. A iniciativa, coordenada pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), busca ampliar as oportunidades de ressocialização por meio do trabalho e da qualificação profissional.

O projeto das Fábricas de Concreto foi implantado em 2021, na Unidade de Reinserção de Regime Semiaberto de Santa Izabel, na Região Metropolitana de Belém. Desde então, a iniciativa foi expandida para outros municípios paraenses e passou a contribuir também com a produção de materiais destinados a obras públicas.

Atualmente, Santa Izabel conta com seis fábricas, enquanto Marabá, no sudeste do estado, possui duas unidades em funcionamento. Em Breves, no arquipélago do Marajó, são quatro unidades. A previsão é implantar outras 13 fábricas em municípios paraenses, ampliando o alcance do programa.

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Os números da iniciativa mostram o crescimento da fabricação de materiais. Entre 2021 e 2022, foram produzidos mais de 23 mil blocos de concreto destinados às demandas internas da Seap. Em 2023, a produção ultrapassou 51 mil unidades. No ano seguinte, foram fabricados mais de 79 mil blocos, além de aproximadamente 5 mil meios-fios.

Em Santa Izabel, uma parceria com a Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel) também ampliou o destino dos materiais, que passaram a atender obras de infraestrutura em Belém.

O acordo prevê a produção de 200 mil bloquetes sextavados, peças de concreto utilizadas principalmente na pavimentação de áreas externas. Mais de 80 mil unidades já haviam sido fabricadas, e as primeiras cargas começaram a ser entregues.

A produção envolve diferentes etapas, desde a preparação da mistura de cimento, areia e brita até o preenchimento das formas e a secagem das peças. Os materiais também são utilizados em estruturas do próprio sistema penitenciário, como passarelas, estacionamentos e áreas de embarque e desembarque.

Além de contribuir para obras públicas, as fábricas oferecem aos participantes a oportunidade de aprender técnicas que podem ser aproveitadas no mercado de trabalho. A capacitação inclui orientações práticas durante a produção e cursos realizados com apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), parceiro nas primeiras formações.

Os participantes recebem remuneração pelo trabalho e podem ter direito à remição de pena, conforme os critérios previstos na legislação.

Segundo o coordenador de reinserção social, Raimundo Gomes, a iniciativa reúne benefícios para os trabalhadores e para as comunidades atendidas pelos materiais produzidos.

A proposta é que a experiência adquirida durante o período de custódia ajude a ampliar as perspectivas profissionais após a saída do sistema penitenciário.

Entre os participantes está Davi da Silva Souza, que aprendeu a produzir artefatos de concreto dentro da unidade prisional, com o auxílio de colegas mais experientes. Ele também participou de outros cursos, incluindo atividades relacionadas à fabricação de sabão e a práticas administrativas.

Davi afirma que pretende aproveitar os conhecimentos adquiridos para construir uma nova trajetória após deixar o sistema penitenciário.

Outro participante, Oendson Henrique dos Passos, também considera o projeto uma oportunidade de preparação para o futuro. Mesmo tendo outra profissão, ele destaca a troca de experiências com os colegas como uma forma de ampliar os conhecimentos e planejar a reconstrução da vida fora da unidade.

Com a previsão de expansão para novos municípios, as Fábricas de Concreto buscam ampliar a oferta de trabalho e qualificação profissional no sistema penitenciário paraense, associando a produção de materiais para obras à preparação dos participantes para o retorno ao convívio social.