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Enquanto boa parte do Pará ainda luta para tirar crianças da estatística da reprovação e da evasão, Canaã dos Carajás virou o ponto fora da curva: o município superou capitais no índice de aprendizado e coleciona selos ouro de alfabetização, certificação do Unicef e prêmio nacional de alimentação escolar.
Em seis anos do governo Josemira Gadelha, o cenário anterior se modificou. De pouca infraestrutura escolar e baixa proficiência em leitura e matemática, Canaã agora exibe escolas com prédios modernos, acompanhamento da saúde dos alunos e projetos pedagógicos capazes de levar estudantes da periferia ao pódio de olimpíadas científicas e de língua inglesa.
Um salto que aparece nos números
O ponto de partida para entender essa virada é o Índice Nacional do Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o principal indicador de qualidade da educação no Brasil. O Ideb leva em consideração aprovação, reprovação, abandono e desempenho dos estudantes em português e matemática nas avaliações nacionais. Esse planejamento se conecta diretamente ao Plano Plurianual do município, que prevê "potencializar as práticas educacionais através das metodologias que busquem a evolução sustentável do Ideb".
A gestão foi à luta e, mesmo com o crescimento de 60% nas matrículas escolares desde 2021, o município conseguiu implementar mudanças que deram certo. O resultado foi a nota do Ideb acima da média nacional nos anos finais e entre as melhores do Pará nos anos iniciais.
Nos anos iniciais, Canaã alcançou seu maior desempenho em educação (5.9), avançando 0,7 ponto percentual. Nos anos finais, Canaã ficou acima da média nacional. 5.2. Esse resultado coloca o município à frente de capitais brasileiras como São Paulo (5.0), Belém (5.0) e Porto Alegre (4.6)
Alfabetização na idade certa e Selo Ouro
O eixo mais simbólico dessa mudança está na alfabetização. Em 2024, Canaã dos Carajás passou a figurar entre os municípios brasileiros premiados com o Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, na categoria Ouro, máximo reconhecimento previsto pelo Ministério da Educação. O selo é concedido apenas a redes que superam as metas de alfabetização na idade certa, com mais de 65% das crianças plenamente alfabetizadas ao fim do 2º ano do ensino fundamental.
O planejamento não tem segredo: formação continuada para professores, acompanhamento sistemático da aprendizagem e integração ao Programa Alfabetiza Pará, que compõe o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada.
Infância protegida e presença na escola
A melhora não é apenas questão de prova e boletim. Em 2023, Canaã ampliou a iniciativa federal Programa Saúde na Escola, proporcionando aos cerca de 20 mil alunos da rede acompanhamento clínico, odontológico e psicológico. Em 2024, o município recebeu, pela edição 2021–2024, a certificação do Selo Unicef, que reconhece cidades que avançaram em políticas para crianças e adolescentes em áreas como educação, saúde, proteção social e combate à evasão escolar.
A prefeitura divulgou o selo destacando Canaã como "cidade amiga da infância" pela terceira vez consecutiva, entre apenas 28 municípios paraenses certificados. Esse quadro ajuda a explicar por que indicadores de escolarização e frequência escolar acompanham de perto o avanço do Ideb no período recente.
Merenda escolar que vira projeto pedagógico
Se a criança está na escola e aprende a ler, também precisa comer bem. Em julho de 2026, a imprensa regional noticiou que Canaã dos Carajás foi destaque nacional no Prêmio PNAE – Educação Alimentar e Nutricional, promovido pelo Ministério da Educação (MEC), ao ter três experiências da rede municipal entre os 20 melhores relatos do Brasil.
Segundo o MEC, o objetivo do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) é garantir alimentação adequada e educação alimentar como parte do currículo, com impacto direto em crescimento, aprendizagem e formação de hábitos saudáveis. Em Canaã, os projetos premiados envolvem desde o aproveitamento integral de alimentos até atividades pedagógicas que elevam o papel das merendeiras a educadoras alimentares.
Plano de Intervenção Pedagógica: a engenharia por trás dos resultados
Por trás dos selos e prêmios há um instrumento técnico pouco conhecido fora das escolas. Em 2023, a Semed (Secretaria Municipal de Educação) lançou o Plano de Intervenção Pedagógica (PIP) para recompor o aprendizado pós-pandemia, ampliando em 50 minutos a carga horária diária dos alunos do 1º ao 9º ano, com aulas de reforço de português e matemática.
Em 2024, o Plano ganhou status de política permanente, com a aprovação, pela Câmara Municipal, da Lei que institui o Plano Municipal de Intervenção Pedagógica. O texto define intervenção pedagógica como "medida escolar tomada pelo professor ao perceber dificuldades no processo de aprendizagem", e prevê a criação do Sistema de Avaliação Municipal de Canaã dos Carajás (SAMACC), com diagnósticos que norteiam as ações de cada unidade.
Olimpíadas, foguetes e inglês: quando o dado vira medalha
Os efeitos dessa engenharia pedagógica também aparecem fora das avaliações oficiais. Em 2026, alunos da rede municipal conquistaram 46 medalhas na Olimpíada Brasileira de Língua Inglesa, sendo 12 de ouro, com destaque para a Escola Municipal Raimundo de Oliveira, responsável por 10 dessas conquistas.
Na Mostra Brasileira de Foguetes (MOBFOG), a Escola Municipal Sebastião Agripino levou Canaã ao pódio nacional da Jornada de Foguetes, no Rio de Janeiro, como única representante do Pará entre as equipes premiadas. Resultados que não são acidentes isolados, mas consequência de alunos que permanecem na escola, têm mais tempo de aula e recebem reforço estruturado.
Gestão, formação e infraestrutura: o tripé da mudança
Nos bastidores, a Semed se reorganizou para sustentar essa virada, com acompanhamento pedagógico, formação continuada e articulação entre gestores, coordenadores, professores e estudantes. Esse movimento dialoga com o plano de governo, que construiu oito novas escolas e reformou outras seis, garantindo infraestrutura adequada.
Ao reunir esses pontos, a resposta à pergunta do título não cabe em uma frase única: a educação de Canaã, na gestão Josemira, melhorou porque uma sequência de decisões convergiu para o mesmo objetivo: alfabetizar na idade certa, proteger a infância, recompor aprendizagens e transformar merenda, avaliação e intervenção pedagógica em políticas de Estado, não em programas de ocasião.
Publicado por:
Kleysykennyson Carneiro
Editor-chefe do Gazeta Carajás. Com mais de 15 anos de atuação no jornalismo, sua trajetória inclui passagens por televisão, assessoria institucional e direção de grandes eventos.
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