A pesquisadora maranhense Francisca Elaine Dutra de Oliveira venceu o Prêmio Inovação em Engenharia Biomédica para o Sistema Único de Saúde (SUS), com um estudo que busca acelerar o desenvolvimento de testes moleculares para identificar vírus como os da dengue e da zika.

A pesquisa foi desenvolvida no Maranhão e reconhecida pela Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB), com apoio dos ministérios da Saúde e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A cerimônia de entrega do prêmio está prevista para dezembro, em Brasília.

Intitulado “Vigilância Epidemiológica Computacional para o SUS: uma plataforma de design racional de biossensores de RNA”, o trabalho apresenta uma ferramenta digital capaz de projetar biossensores para identificar o material genético de agentes infecciosos.

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Como funciona a tecnologia

A plataforma já foi validada computacionalmente para os vírus da dengue e da zika. Segundo a pesquisa, o sistema apresentou uma discriminação termodinâmica mais de três vezes superior entre o alvo verdadeiro e os controles analisados.

A proposta é utilizar a tecnologia na vigilância epidemiológica ambiental, com análises de amostras de água e esgoto. A ferramenta permitiria rastrear diferentes patógenos sem precisar desenvolver toda a tecnologia novamente para cada agente investigado.

Atualmente, o desenvolvimento de testes moleculares pode depender de processos experimentais demorados, baseados em tentativa e erro. De acordo com a pesquisadora, esse caminho pode levar meses entre a identificação de um novo patógeno e a disponibilidade de um teste de triagem confiável.

A plataforma utiliza sequências genéticas para projetar biossensores de RNA com previsões de maior especificidade e estabilidade, reduzindo a necessidade de etapas experimentais de seleção.

Por ser uma solução digital desenvolvida no Brasil, a tecnologia também busca diminuir a dependência de ferramentas estrangeiras e facilitar o acesso de laboratórios de saúde pública a recursos de diagnóstico molecular.

Pesquisa recebeu apoio da Fapema

No Maranhão, o projeto foi contemplado pelo edital Deep Tech Catalyst, da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema).

A chamada destinou R$ 4,55 milhões ao apoio de até 15 propostas em áreas como biotecnologia, saúde, agricultura digital, energias renováveis, sustentabilidade e tecnologias sociais.

Para Elaine Dutra, o reconhecimento amplia a visibilidade da pesquisa desenvolvida no estado e reforça a contribuição da ciência brasileira para os desafios da saúde pública.