O Banco Central (BC) informou que ainda existem R$ 5,79 bilhões em valores esquecidos nas instituições financeiras, segundo balanço com dados até agosto de 2026. Desse total, R$ 4,31 bilhões pertencem a 23,94 milhões de pessoas físicas, enquanto R$ 1,48 bilhão está relacionado a 2,36 milhões de empresas.

Os valores podem ser consultados por meio do Sistema de Valores a Receber (SVR), que permite verificar se há dinheiro disponível em bancos, consórcios e outras instituições financeiras. A consulta também pode ser feita em nome de pessoas falecidas por herdeiros e representantes legais autorizados.

Em março, o saldo de recursos esquecidos era de R$ 10,6 bilhões. Em maio, o montante havia caído para R$ 6,2 bilhões, após parte dos recursos ser transferida para um fundo público utilizado no programa de renegociação de dívidas Desenrola 2.0.

Leia Também:

Uso dos recursos é investigado pelo TCU

Em maio, o governo federal anunciou a utilização de parte dos valores esquecidos para viabilizar o Desenrola 2.0. No fim daquele mês, cerca de R$ 5,7 bilhões foram encaminhados ao Fundo de Garantia de Operações (FGO), que oferece garantias às instituições financeiras em operações de crédito.

Segundo o governo, 10% do saldo transferido ficariam reservados para cobrir eventuais pedidos de resgate dos titulares dos recursos.

A transferência passou a ser investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Técnicos do órgão apuram o uso do dinheiro em programas federais fora do orçamento público, o que levanta questionamentos sobre o cumprimento das regras fiscais.

Como os recursos não foram incluídos formalmente no orçamento da União, eles não entram nos limites de gastos submetidos às regras fiscais. Caso fossem incorporados ao orçamento, o governo teria de compensar o valor com bloqueios em outras despesas discricionárias.

Como consultar e resgatar o dinheiro

A consulta deve ser feita exclusivamente pelo site oficial do Banco Central:  https://valoresareceber.bcb.gov.br.

Para solicitar a devolução, é necessário seguir as orientações apresentadas pelo sistema. Em geral, o resgate pode ser feito por meio de uma chave Pix. Caso o titular não tenha uma chave cadastrada, deverá entrar em contato diretamente com a instituição financeira para combinar outra forma de recebimento.

No caso de pessoas falecidas, a consulta pode ser realizada por herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais, mediante o preenchimento de um termo de responsabilidade.

Após verificar a existência de valores, o interessado deve seguir as instruções do sistema e da instituição financeira responsável pelo recurso.

Atenção: o Banco Central não cobra taxas para liberar valores esquecidos. Desconfie de mensagens que solicitem pagamentos ou dados pessoais para realizar o resgate.